segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

invisibilidade...

Por que realizou?
És gênio do mal.
Deus do incerto...
Infame sonho infantil cheio de erros.
Por que realizou?
Invisível agora!
Como sempre quis...
Não me veem!
Meu grito de socorro assusta...
Correm de mim.
Me tornei assombração.
Por que realizou?
Sonho fútil infantil.
Não pensei na consequência...
Devolve-me a face...
Os pedaços que eram meus.
Para que me vejam!
Seu deus feio.
Sabia que não daria certo...
Agora invisível, como faço pra ser algo em meio todos...
Devolve-me a carne, pra que eu apareça junto ao mundo novo aparecido.
Invisível...
Nunca pensei que não seria ouvido, sentido, amado...
Invisível sou pra todos.
Mas queria poder me ver!

Escuro daqui... frio daqui...

Muitos motivos.
Poucas realizações...
Muitas dúvidas.
Poucas soluções...

O que me faz crer?
Se nem crer nunca soube!
O que me faz querer?

O que me faz permanecer?

Luto pelo igual, e diferente sempre me senti, agora visto a farda errada.
Estas cores não são minhas.

Não, não são!
Sou reserva de uma seleção de fora.

Não, não são!
Peão de tabuleiro de um rei que não me curvo.

E apenas um peão.

Nada demais...
Tão importante quão a própria importância dada...
E nada mais...

domingo, 16 de novembro de 2014

Tentar explicar o que falam...

Não sei direito como começar a dizer, acho que não sou escritor suficiente pra expressar o que sinto ou sentimos ao sentir seu cheiro.
Ele não vem das grandes empresas de cosméticos, ou do hidratante que sensualmente passa no corpo após o banho, não vem das borrifadas de perfume que joga em seu pescoço lindo e convidativo ao beijo.
Ou do sabonete liquido com esfoliante que também esfrega minhas costas. Com o intuito de cuidadora e carinho.
Seu cheiro vem da sua pele, da sua feminilidade, do seu poder.
Seu cheiro de mulher, ele inebria, atrai. Se liga ao seu comportamento.
Mas como explicar?
Acho que é o mais complicados dos meus textos.
É algo tão mágico que "nós" sentimos.
É primitivo, ligado a sensações de prazer...
É cheiro de libido, de sexualidade, de beleza não estereotipada, beleza de mulher autentica.
Seu cheiro não retrata a artificialidade, de sedução.
É a própria sedução fêmea por si só.
Os encantos naturais do gênero. Seu cheiro me conforta e excita, nos atrai e me hipnotiza.
Me sinto um homem, ao seu lado, um homem bem acompanhado. E sentir seu cheiro antes, durante e depois do sexo, do seu sexo misturado com seu gosto é algo não material, lúdico.
Não são palavras pra agradar mas pra exemplificar o que se retrata ser você. Ter você.
Seu hormônios se conectam aos meus quando meu faro animalesco sente que está perto.
Seu cheiro mostra tesão, mostra atração.
É viciante, pela sensação de poder másculo que ele traz.
Seu cheiro é cheiro de Danusa.
Não de Dan... De  Danusa a grande mulher libido sexy e poderosa.
Bobo eu que tentei explicar, impossível. Esse cheiro é tão incógnita como você é pra mim, pra nós pra si.

Ney Dias


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Troco ( Inveja )

Dane-se o bom senso.
O politicamente correto.
O amor próprio.
Dane-se as frases belas.
O pensamento positivo.
O jardim do vizinho me atrai.
Seu verde reluzente.
Hoje troco tudo.
Se necessário dou troco.
Pago a diferença.
Afinal, que valor tem essa vida.
Qualquer outra trocada por ela,
mau negócio há de ser.

Então pago.
Pago pelo seu sorriso, desde que fique com minha rudes.
Então pago.
Pago pela sua tranquilidade, desde que se apodere do meu barulho.
Compro, pequenas mudas do seu jardim.
Pago pelo seu regar.
Afim que meu árido quintal, comesse a me agradar os olhos como quando fito pela janela suja da minha sala.
Compro a esposa orgulhosa que tens.
Confiante.
Com sorriso largo a declarar por você, seu amor, que soube regar como a grama.
Os belos filhos educados.
O cão de pelagem brilhante.
A casa na árvore que prometeu, e fez.
Os pais exemplos que recebe no domingo a tarde.

Pago tudo com meu orgulho.
Pago com minha dignidade.
Com minhas razões, e meus sonhos.
Leva tudo que acredito ter valor.
E me dá o que te peço.
Pois, meus valores nada valem.

E se não for o suficiente.
De brinde me leva a tal liberdade.
Está guardada ali atras. Em desuso.
Mas é relíquia cobiçada, a protegi por anos e anos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Ah se pudesse...

Se eu pudesse escreveria sobre isso.
Mas me enojo.

Se eu pudesse escreveria sim...
Mas meu estômago embrulha e minha garganta fecha.

Não há poesia nisso.
Não há.

Essa dor não é poética.
Essa dor não é bela.

Essa dor dói em quem não deveria sentir.
Só queria...
Sei lá, estar onde não estava.

Ter enxergado seu olhar, seu pedido de ajuda.
Ouvido seu grito silencioso.

Falhei.
Falhei como guardião de ti.
Falhei com o cargo mais sagrado.
Falhei.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Perdido sim

Me perdi entre os meus.
A solidão me assombra mesmo sem porquês!
Não me sinto igual, e tão pouco, com uma diferença interessante.

O que me difere me custa a alegria de me igualar ao grupo,
e me identificar no outro.
Me sinto só.

O clichê da solidão entre tantos também me assombra.
Não existem justificáveis que me livre da culpa.

Culpa essa que carrego por estar sem minha companhia.
Me perdi de mim.
E talvez não me encontre mais.

Quando resolvi soltar o controle achei que assistir o passar da paisagem me alimentaria a alma.
Mas dói olhar o que não se quer ver.
Dói não se ver nas imagens impostas.

Me sinto colonizado.
Alterado.
Modificado.
Reprovado e reprogramado.
Afim de ser aceito.

Adeus ao homem que viveu em mim.
E por favor novo inquilino.
Pague apenas o aluguel.
E não me dê bom dia.

Ney Dias... talvez.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Vício

Não sei o que dizer.
Realmente não tenho nada pra passar.
As palavras aqui escritas...
São tão mortas quanto as ditas.

Simplesmente me dispus a matar o tempo.
A ânsia de dizer que agora não sei nem quem sou.
Ou o que defendo.

A cada carta colocada.
Um sopro derruba meu pequeno castelo.
Tão moço. Morre jovem sempre que se ergue.

Mas como culpar o vento por ventar.
O sopro por soprar.
Abri a janela com minhas mãos.

As mesmas mãos que seguraram com destreza cada carta.
Com o cuidado e o carinho afetuoso.
De quem cria e quer ver vingar.

Crescer forte, bonito e vistoso.
Mas ainda menino. Fraco e melindroso.
Não suporta nem mesmo a brisa que entra constante.

Pergunta-me por que não fecho a janela.
Pergunto-lhe como.
Se é dela o ar que entra e só com ele passeando entre os espaços
do castelinho moço vejo sentido no colocar atencioso de cada partinha.

Não, não há sentido eu sei.
Isso já avisei no instante que sentei.
Pra escrever sem me explicar.

Se é pro vento que faço o castelo.
E se o castelo não suporta o ventar.
Devo estar louco, oferecendo morada a quem não quer morar.

Ney Dias.



terça-feira, 30 de setembro de 2014

Achava o amor uma palhaçada... Algo... ( Viagem )

Maldita poesia que me trouxe a vida novamente.
Nossa!
Estava tão decidido.
eu sabia que iria morrer.

Não tinha mais por que seguir em frente.
Não gostava da vida que levava.
Não gostava de deus que a me deu.
Nem vontade de tentar novamente.
Mas ela nem percebeu!
Ou fingiu não perceber...

Achava o amor uma palhaçada...
Algo...

Inútil.

Maldita poesia devia ter me deixado morrer.
Eu estava tão certo de que aquilo não valia mais a pena.
Aí um maldito poeta me vem...
E fala que a alma não é pequena.

E eu achei que deveria começar a escrever.
E mostrar pro mundo que não gostava de viver.

Isso nunca mais parou!

O inferno começou.

Uma sequencia de palavras gritantes
Incessantes.
e gritam, gritam gritam...
Gemem...

Elas não param de sair...
Minha mente segue rumo ao desespero
trechos prontos plantados como pistas
no meu caminho.
Ervas que servem de tempero
Pra esse prato que me alimenta e nem sei pra que!

Não sei pra que alimentar.
Moribundo que não sabe amar...
Tem que mais é padecer da dor.
E morrer.

Mas ela insistiu...
Insistiu e insistiu.

E com elas, as poesias, fui cuspindo cada podre que havia.
E cada lasca do tampão que minha vista cobria...
Caiu pelo chão.

E com o olhar novo, renovado pela maldita que não me deixou.
Olhei de novo, o mundo novo, e um amor tão maldito.
Quanto a poesia insistente
Começou latente forçar abrida, e mesmo que não compreendida.
Fez-se bandida e roubou seu lugar no moribundo.

E agora me pergunto...
Será ela poesia ou poetiza?
Por que as palavras que grito,
Não são minhas e não são mortas e nem o acaso que as criou.

Foram seus passos indo e vindo que eu ouvia.
Quando ia, doía.
Quando vinha...
Alegria.

E só anotando as notas do som do seu caminhar.
Fui escrevendo o poetizar da vida, minha vida.
Que já não moribunda era tanto.

Porque lançou seu encanto, de longe sem nem perceber.
Que com seus devaneios, suas birras e brigas.
Plantou o amor no coração vagabundo e depois saiu pelo mundo.
Deixando um buraco no poeta que foi criado.
Pelo amor malacabado.
E arranjado... pelo destino...

Então sempre foi você, descobri agora no escrever.
Que plantava as pistas.
Que ia deixando as mudas de poesias largadas por ai.
E eu colhendo, cuidando e amando.

Quando vi!
Renasci,
Safada.
Me manteve vivo pra que minha vida fosse sua.
Usando a poesia de isca...
Por isso nunca falei da lua.
Da florzinha do jardim.
Falava o tempo todo de mim,
Da procura pela sua felicidade trazendo pra nós a realidade
Dura, crua e necessária.

Por que sempre foi real.
Sempre existiu...
Só precisava acreditar que eu mesmo torto podia te amar.

e quando não desistiu
deixando as migalhas de pão no caminho.
Hora dor, hora amor... Hora pancada, hora carinho...
fez com que um quase morto,
Respirar fundo e cair também pelo mundo
atras da inspiração
que alimentou um coração tristonho e sem vida
e agora buscara guarida
longe, muito longe mas bem perto de quem o salvou.






Acho que nem quero mais fazer.

Hoje me deitei com a vontade de inventar um novo palavão.
Escrevê-lo...

Sei lá...

Nada a ver com os chulos que conheço.
Acho que perderam a essência.

Seu reúso foi sua morte.
Acho simplório demais xingar com os que tem...
Palavrõesinhos batidos e mornos.

Nem o que fere o ouvido mais vulgar,
se aproxima da minha vontade de xingar.

Ah! As palavras já inventadas não expressam nada.
Então tenho que eu...
Só eu...
Sentar aqui e tentar juntar varias;
e num amontoado delas por pra fora o que nem mesmo sei nomear.

Ai fico assim...
Perdido em meio letras, acentos e pontuação.
Se eu soubesse mais. Escrevesse mais.
Tivesse o talento dos grandes...

Se, tanto se...
Se escrevesse...
Se tivesse...
Se soubesse...

E nada do meu palavrão nascer.
Acho que nem quero mais fazer.
Vou usar esse monte que veio e me conformar com a limitação da língua escrita.
Que nunca vai expressar com exatidão
O que se passa na minha escuridão enquanto minha alma grita.

Ney Dias

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

E quando sonhei, Nos vi assim, assim...

E quando sonhei,
Nos vi assim, assim...

Com o tempo te senti sair de mim.
A morte de algo que não mata, mas aleja.
O caminho foi trilhado para o fim.




Quanto a você.
Linda, caminhou, seus pés e joelhos ralados,
olhos inchados, coração por vezes amargurado
mostra a mim, que caminhou, sim caminhou vezes ao lado
vezes a frente,
vezes eu,
parado,
mas você, sim caminhou sim.

e agora os caminhos seguiram diferentes direções
linhas aparentemente próximas, mas com diferentes direções.

Ah!
E quando sonhei,
Nos vi assim, assim...

Ver seu sorrir, seu brilhar, seu sonhar.
Mesmo que seja só vê-la, no esperar.
Esperar que sorria, que brilhe, e que sonhe.

Vou aqui, no meu caminho, no andar.
E as vezes paro, respiro e sem poder te contar....
Que estou cansado, e ao olhar ao lado...
você não está mas lá.

Ainda caminha?
Acredito que sim...
Não fazia o tipo de quem iria parar,
mas agora atrás do sonho certo.

E eu? O que posso fazer a não ser, te desejar...
Que sinta como nunca, seu sonho se realizar

E se eu não pensar assim por um segundo, me direi...
Garoto, não sabe amar!
Nem sequer aprendeu gostar...
E com isso vou lembrar
Que amo sim.
E que aprendi quando sonhei...
E nos vi assim, assim...
que eu feliz, sem te ver sorrir, não queria nem sonhar.











sábado, 13 de setembro de 2014

vadia, vadia...

O mundo me chama
Grita meu nome
Não da sossego
Manhã
Tarde
Noite

O mundo me chama
Tem voz de mulher
o maldito

E fala, fala, fala sem cessar
Me da motivos
Manipula
transforma minha vida enraizada em ruim

Já não sei o gênero de mundo
Se lhe chamo de o mundo ou a munda
o mundo pra mim tem quadril
seios e curvas lindas

é mimado e gentil
vadia quando quer
mundo vadia

corre de mim e grita de longe
e meus ouvidos embebidos de amor
quer busca-lo

Mundo vadia
grita com voz feminina

Se insinua

Morro bobo, besta...
Mas lhe ouço, lhe busco
E vou!

Ney Dias






quinta-feira, 4 de setembro de 2014

... entre árvores, frutos e nuvens

Paz? Vim te procurar.

Já tanto andei... Tantos quilômetros... Por que ainda não a vejo?

Hoje eu acordei meio sem acordar.
Olhos embaçados, tá difícil te enxergar.

E logo pensei, Ah... em algum lugar teve ter ido!
e deixado aqui comigo só sua ausência em meu lar.

E grito: Paz, volta pra me ninar! Volta pra me ensinar!
No relento que me encontro, o máximo que faço é me constipar.

...mas ela não vem, parece não me querer bem!
será que o grito não foi ouvido?
Ou o lugar pra onde tiveras partido, o som da minha voz não a de chegar?

E entre árvores, frutos e nuvens Eu insisto em procurar.

Como gato mau criado, onde foi que se meteu?
Fez jura de não me deixar, mas das minhas mãos veio a escapar.

E então uma voz... abafada, e cansada tentou se comunicar!
- Com carinho te digo agora... nunca pensei em te deixar, mas com a bagunça que tu fazes aqui dentro. Fica difícil escapar!

 Ah... Graças a Jha, enfim tão amada
 Perdoe-me a bagunça, mas o susto que me causou...
 Quase estampo no jornal: Procura-se a tal.

 Para quê tanto escândalo? Sei que aqui agora estou, vim te alimentar.
 Vamos que a faxina será longa. Pegue essa balde de coragem, passe um pouco de luz depois que tirar a poeira.
 Vou ficar aqui na varanda, me chame quando o coração estiver em ordem!
 E aprenda uma coisa. Estarei sempre contigo, e quando não me sentir... caro amigo. Não fujas. Por que em ti é meu abrigo. E mesmo que corra todo o mundo. Com o espírito imundo, não poderei te ninar.

Ney Dias / Alice Sant'ana

L. Farias

E com toda madrugada
Meu olhar se ia
Sozinho ver o pôr do sol
Tudo doía
Você não falava nada
Não fazia nada
Por isso me agredia
Me amava
E no outro dia
Me deixava
Da minha cara
Sempre ria
Desgraçada
Não tem graça minha agonia
Eu me afastava
Mas tu chamava
E eu sempre ia
Obedecia
Fazia tudo que queria
Me pisava
E calçava
Era assim todo santo dia
Com minha cama eu deitava
E meu amor se moía
Tudo que de mim tratava
Ao seu ego pertencia
Agora nada quero
Como antes queria
Lágrimas descem e inundam
Me desespero
Lágrimas nuas no chão
No travesseiro e na pia
Nem tenho mais coração
Tirana,vadia
Quis te tirar de mim
Quase tirei a poesia

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Poema de cotidiano

quero que você vá pra puta que pariu...
quero que saiba que te amo...
quero seu abraço...
quero te odiar...
e quero passar só algumas vidas com você...
odeio não conseguir te odiar... odeio não poder ter seu abraço agora...
só não odeio mais tudo isso, porque odeio muito imaginar que passe pela sua cabeça q eu não me importo.

Dan de Sá

domingo, 24 de agosto de 2014

Vida

Sim a vida é uma merda.

Estamos em um vale de lágrimas.
e...

Sim a vida é um saco.
Um saco de insatisfações geradas de todos os lados.

Acostume-se com isso e conseguirá chegar mais próximo possível da felicidade que mamãe sonhou pro bebe.

Ney Dias

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

De quem é?

De quem é o mundo hoje se for daquele que rompe as barreiras?

De quem é o mundo hoje se for daquele que quer melhorá-lo a partir de melhorar a si?

De quem é o mundo a não ser de quem lida com dores e tem a resiliência de não enlouquecer com elas...

És culpada de que?
De mudar o mundo e seu mundo?

De adaptar seu eu as dificuldades, atropela-las de cabeça erguida...

Olhe ao seu redor!
Quanta mesmice, quanta zona de conforto... Quantos pesos inúteis, movidos por ventos, com seu motor em desuso...
Quanta geração perdida... Sem arte, sem crescimento, sem vida na vida.

Agora ouça seu motor...
Faça silêncio e ouça o motor pulsar...
Sinta o vento contrário sendo enfrentado e partido ao meio pela única força que controla... a sua!

És capitã... E tem sim a obrigação de dar caminho aos que como passageiros sentam e assistem suas decisões, e acreditam que elas são as melhores pra todos no barco da vida.

E de quem é?

Apequenar-se diante de si, trará medo aos demais...
Ah!
Como é fácil ser passageiro. Até dormir dá!
Mas capitanear nunca... Quem dorme?
Quem descansa? Não, não se pode...
E o medo de errar persiste, pois somos falhos sim...

Mas o passageiro, ele não erra, ele julga, mas não erra...
Como erra quem dorme, quem espera?

Mas se o acerto vem...

- Todas as honras ao capitão que não dorme!!!
- Honras ao homem que nos salvou da morte!!!

E agora as horas sozinha ao leme... Os ventos enfrentados só.
As refeições as pressas, as noites pouco dormidas...
Valem, pois o tempo passou...
A viagem terminou e os passageiros de seu barco, fim a salvos, podem seguir viagem, e mesmo que agora já não precisem mais ser guiados pela mão de ninguém...
Levam consigo a sensação de que a parte dele foi feita, e o exemplo de que capitanear nunca será fácil...
Ou pra qualquer um.

De quem é?

Ney Dias


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Sant'ana

Alice"ou-me" a vida a conhecer-te,
E depois Alice"ou-me" a fazer-me conhecido por você.

O Alice"rce" foi sendo construído.
E amizade, tão rara...
Foi Alice"rçada" a distância.

Sou assim...
Alice"ado" pela arte que vive...
E pela arte que prega...

Ney Dias

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

de que...

de que valem vocês?
A inutilidade de cada palavra escrita me cansa.

de onde vem tantas?
A inutilidade de cada palavra me incomoda.

de onde nascem os poetas?
A inutilidade de sua existência me revolta.

de que valem vocês?
Textos inúteis, tempo perdido!

Faça-me a gentileza de sair de mim poesia...
Não te valho um capim seco.

Obrigo-te abandona a mente...
Larga o corpo!

Não preenches nada... és droga!
Mata!

de que adianta?
Sintetizo meu pior em teus encantos...
Ah!
Maldito é o homem que escreve.
Que se ilude com o placebo do expressar-se.
Lhe adianto.
Não resolverá nada!

Ney Dias

Se tu... (clichê)

Se tu me faltas...
ainda sinto teu cheiro.
Se tu me faltas...
ainda sinto teu toque.
Se tu me faltas...
vejo teu rosto em rostos que não.
Se tu me faltas...
espero o momento de ver outra vez.
E ele vem, sei que vem, com a mesma certeza do amanhã.

Tu não me faltas...

Ney Dias

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Completo

Quase fui um bom aluno.
quase fui um bom colega de classe
quase consegui bons amigos

quase consegui um emprego jovem
e quase me dediquei e ele.

quase cresci

e assim veio os amores, quase fui um bom namoradinho...
e depois quase fui um namorado especial.

quase me marginalizei.
a vida as margens do correto, quase me mataram.

os bons empregos vieram, e quase valorizei isso.

e o amor veio, quase fui um bom marido.
quase fui um bom pai.

quase...

quase me recuperei, quase seguindo uma nova doutrina de vida.

a separação chegou e quase foi tudo bem.

com o tempo, me apaixonei, quase foi muito legal.
me apaixonei outra vez, quase foi muito legal de novo...

e depois quase foi mágico, quase dura...

quase me recupero da frustração...

hoje aqui quase consigo sorrir e ver minha vida por inteiro.
quase aprendi com meus erros, e quase valorizei meus acertos.

consegui entrar pra faculdade, sem pagar nada...
Quase fui...

quase tenho alguém comigo que me ama...
quase posso bater no peito e dizer vivi quase que intensamente tudo o que poderia com ela...

Foram tantas profissões...
e quase fui muito bom nelas!

e o quase homem que me transformei... quase triste...
se pergunta!

Onde errei?

Ney Dias

sábado, 19 de julho de 2014

Mal cheiro

Sinto ele exalando de mim.
Se espalha.

Sentimentos baixos, pequenos me consomem.

Eu, que não quero.
Eu, que não tenho.
Eu, que não...

Perdi minha canonização.
Sinto-me imperfeito.

Podre.

Ney Dias

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Paz

Não arrisque sua paz.
A tão rara.
Por que deve fazer por você o que o outro não faz.
Não pise sobre o rio congelado.
Deixe a pequena lá, no meio dele.
Porque se racha com vc também estará condenado.
Não arrisque a tranquilidade de seu travesseiro.
Ela é tudo que sempre buscou.
E, aquele que o sono faltou.
Aquele, que a lua não brindou.
Uma hora dormirá.
E nem se lembrará do abandono.
Porque vítimas perdoam.
Porque algozes maltratam...
Porque algozes matam...
Porque algozes espancam...
Em nome de deus.
Em nome de valores.
Em nome de quê?
Perdão vítima.
Hoje falta-lhe heróis e sobram-lhe algozes.
Por que tão culpada que a mão que fere, é a mão que se esconde na paz do bolso.
Ney Dias.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Alheio

Hoje falta-me talento.
O grito não consegue sair.
As lagrimas secas, cansadas, impossibilitam o esvair da dor.

Como extravasar isso?
Falta-me arte...
Falta-me a destreza do músico que chora com as notas.
Falta-me o traço firme do desenho pra expor as trevas.

Meu talento me limita.

A ausência de prazer me causa dor intensa.
E não vejo analgésico.

Oh minha arte, me abandona no momento em que só a ti me daria.

Vida!
Me dê argila pra amassar e construir um sorriso no rosto dela;
Ou uma mascara pra me tapar.
Quero um martelo e um cinzel pra talhar a pedra que pesa em meu peito.
E transforma-la em algo notoriamente belo.

Se sinto como tal...
Hoje falta-me o talento.

Artista moco pra musica, desforme para o talho...
Inapto pro risco. Prolixo pro escrever...

Meu sentir é tolo e dependente. Infantilizado pela insatisfação inerente.
Observarei a arte alheia que me foi dada.
Que me sobra...
que me ampara.

Que o talento fora, toque o dentro vazio.
Preencha a lacuna do artista seco, cinza...

E se essas mãos não fazem...
Use sua boca carnal pra construir o sorriso que lhe falta.
E devolva meu bom sentir.

Ney Dias


sábado, 5 de julho de 2014

Pra não sentir saudade.

Encontrei a maneira.

Sem música, ou sorrisos...
Sem lugares.

Ou músicas sem palavras.

Talvez eu não ande por onde andamos.
Ou não diga palavras que te digo.

Encontrei a maneira.

Sem músicas, sem sorrisos...
Sem lugares.

Talvez se eu troque a roupa de cama.
Ou troque minha pele.

Encontrei a maneira.

Sem músicas, sem sorrisos...
Sem lugares.

Talvez eu não use telefones ou computadores.
Ou fique surdo.

Encontrei a maneira.

Sem músicas, sem sorrisos...
Sem lugares.

Talvez se eu evite algumas pessoas.
Ou me isole.

Encontrei a maneira.
Encontrei a maneira.

E se eu não existir durante...
E se...
Talvez...

Não sei fazer.

Ney Dias.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Dom

Não gosto de poesia.
Ela me persegue durante o sono.
Me acorda.

Não gosto de poesia.
Ela me engasga.
Me afoga o peito.

Não gosto de poesia.
Ela grita comigo.
Me obriga a falar.

Não gosto de poesia.
Ela me nomeia.
Gruda no meu eu.

Meu sentir é tosco...
Um devaneio completo de erros sequenciais.
E ela me entrega.
Me julga e condena.
Fala por si.
É um escarro de palavras.
Há de chegar o dia em que não mais serei condenado.
Quando expressar através dela como uma alma apodrecida fede.


Ney Dias

domingo, 29 de junho de 2014

Ontem rotineiro.

Acordei hoje, e o ontem acordou comigo.
O sol nascido era o mesmo de tempos atrás.
O vento soprou frio. Mesmo em altas temperaturas marcadas nos ponteiros das pessoas que diferente de mim acordaram hoje.
Ontem, voltou!
As coisas se repetiam, e senti medo.
Pensei estar preso, e se o ontem nunca acabar?
E o amanhã será só para os demais...
Inferno, perdi o direito do amanhã.
Acordei no ontem, viverei no ontem, morrerei no ontem!
Me pergunto: Minhas partes ão de apodrecer?
Desmancharei como os demais?
As bactérias ploriferarão e se alimentarão de mim?
Ou elas no amanhã já vivem...
E buscarão corpos perfeitos mortos no dia.
Ah o hoje, como deixei perder-se?
E se o rio se transformou e eu, o mesmo tentei banhar-me?
E se o calendário pulou, e eu teimoso insisto em não arrancar a folha?
Maldito ontem me assombra.
Maldito ontem.
E agora vejo!
A quantos estou a repetir?
Milhões de dias iguais, se refazem no amanhã. Esse que não chega a mim.
Será que essa é a chamada maldição da imortalidade, onde só o fim é a libertação?
E repensado vejo que as questões são as mesmas. Tudo é igual.
Colocarei-me em recolho mais cedo hoje. Pois não precisarei aguardar a chegada da lua, amanhã ela virá, como veio ontem, hoje.
Idêntica.
Ney Dias

sábado, 28 de junho de 2014

Alice Sant'Ana

Que mal tem em ser a inspiração de alguém?
Sim, eu estampo seus olhos por aí, em cada risco tem um pouco de você.
Nas mãos que segura o grafite defeituoso, no pedaço de papel que faz morada.
Na forma de fotografar e de escrever sobre.
Ao fechar o caderno, ao guardar a borracha.
Colocar o cobertor encima da cama e o ventilador na tomada.
Apagar a luz e tentar me desligar da tua falta de amor.
Boa noite, bom descanso e melhoras.
Não só "melhoras" pra gripe repentina.
Melhoras pro seu coração que tem medo de amar.
Melhoras.
Melhoras.
Mas vê se não te demoras.

Alice Sant'Ana

Alice Sant'Ana

Sim, vou abrir mão de sentir o frio na barriga ao te ver.
Vou abrir mão dos abraços apertados e das madrugadas perigosas.
Faço questão de abrir mão dos desenhos e céus estrelados.
Abro mão também do toque, da cachaça e do dengo.
Também da bala de hortelã que adormece o seu beiço.
Do cafuné desordenado no umbigo e dos beijos na barriga.
Faço questão de abrir mão de cada beijo e marcas no pescoço.
Com o coração partido eu abro mão de cada música e nota cantada.
Abro mão do gosto bom que sentia quando atendia sua ligação no meio da noite.
Eu abro mão porque dói menos.
Eu abro mão porque você nunca fechou a suas pra segurar.
Na verdade eu abro mão de fazer questão de abrir mão, porque eu não sei se assim você vai sair de mim.
Vou manter segurando, caso você queira ir embora, você vai escorrer por entre os meus dedos, assim como está acontecendo comigo em suas mãos.

Alice Sant'Ana

sábado, 14 de junho de 2014

Poeta

Não, minhas palavras não são pra agradar.
Não escrevo sobre a margarida branca...
Ou o luar cheio, dos amantes.

Não sou poeta, muito menos escritor.
Que vão pro inferno os tais.

Que seque a linda rosa.
Murche.

Minhas palavras não se intitulam poemas.
Não há poesia nelas
Ao inferno as tais.

Eu grito ao papel, não canto.
Arranho lata, não toco.

Não procure arte aqui.
Não encontrará.

Ney Dias

domingo, 8 de junho de 2014

Promessa

Minha vida metadeada.
Partes longes. Longiando o que está dentro. Afastando o que era pra ser o mesmo.
Órgãos se rejeitando e fazendo parte do mesmo corpo, que sente o pedaciado, o fragmentamento do viver.

Ney Dias

sábado, 7 de junho de 2014

Augusta

Angustiante Augusta.
Transeuntes, transcrevendo.
Transformando, transformados.
Augusta
Transeuntes, transviados...
Transando, travestidos, trocando.
Angustiante
Traindo, traduzo com poucas palavras...
Transitando meus olhos entre...
Augusto, não.
Augusta, ativista, atitude. Altruísta.
Ah!
Traidores amigos.
Ney Dias

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Amado algoz

De onde vem seu poder?
Onde encontra força tamanha para resistir a força tão...

algoz que não quer o mal.

Onde encontra sua luz?
De onde vem, brilho tanto, que ofusca raios tão...

algoz que não quer o mal.

Shiva és, constrói destruindo.
Cria matando...

algoz que não quer o mal.
que ama.


Ney Dias

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Quero

Sim eu quero acordar cedo e dividir o banheiro. Encontrar partes de roupas intimas penduradas na torneira do chuveiro, e em dias sorrir ao ver, e em outros brigar por isso.
Quero chegar cansado do trabalho e encontrar um belo jantar, ou ter que cozinhar pra nós.
Reclamar da fatura do cartão, e perceber que foram presentes pra mim.
Saber sobre o dia de trabalho do outro enquanto tomo banho.
Sentir cheiro do perfume derramado.
Ser chamado de tio, por aqueles que vejo como filhos.
Dar satisfações dos meus atrasos, e me preocupar com o atraso do outro.
Olhar pra frente, perguntar o que acha, negar um emprego pra ficar perto, aceitar um emprego pra melhorar as coisas.
Brigar.
Amar.
Pedir desculpas mesmo certo, ou pelo menos achando isso.
Esperar a maquiagem por horas, pronto.
Sorrir ao ver a bagunça feita pelas crianças, ou em ver os olhos brilharem ao me ver chegando com um mimo de poucos reais.
Construir sonhos inalcançáveis e vê-los se aproximando por que não fiz nada sozinho.
Quero o amor romântico, atraente e carinhoso.
Só não o quero a dois.
Ney Dias

Ilustração: Is
https://www.facebook.com/OMundodeIs?hc_location=ufi


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Resíduo.

Espero que tenhas um lixo enorme.
Onde caiba meus sonhos...
Espero que tenhas um lixo enorme.
Onde caiba suas lembranças;
Onde caiba nossa luta, e caiba nossos sorrisos.
Onde caiba a esperança e promessas.

Espero que seja firme o recipiente.
Para que aguente o peso da culpa e do arrependimento.
Espero que seja firme...
Aguente a dor que cresce depois de jogada fora, alimentada pelos vermes.

Que seja fechado, selado...
Para que o cheiro não se espalhe.
Que não sinta ele do nada em meio momentos que poderia dividir.
Tomara que a bela flor nascida do outro lado do atlântico te cause sorrisos e não lágrimas.
Ela será sua, só sua... Apenas sua...

Que não seja transparente, pra esconder as imagens registradas;
sejam elas por câmeras, ou pela mente.
Que mantenha a luz, que deveria arrancar sorriso, bem presa;
junto com o calor do colo.

Agora informe-se.
Pois não sei que embalagem usar pro amor;
pelo que sei ele rompe barreiras, quebra estruturas.
Foge de jaulas, pula muros. Agarra o que quer com as unhas os dentes as mãos.

E se puder, divida comigo seu espaço fétido.
Não me preparei pra tanto desuso, tanto descarte!
Não tenho onde guardar o que quis contigo, não tenho onde por meu sonho.
Me falta embalagem apropriada pra caber toda uma vida.

Não posso comprar tal alcova, não tenho plano funerário.
Onde enterrarei tantos mortos, meu sonho já fede a dias...
Infelizmente não terá a opção de negar-me tal favor,
Carregará contigo, no seu lixo.
Pois já levou, pois já fede.

Ah! Se distância evitasse o cheiro, o peso, o tamanho...
Não chagaria a mim, mas ele tem o poder de cruzar oceanos e mares.
Atravessar fronteiras sem documentos, ou autorizações e ele virá. Sim virá.
E saberei que não reciclou nada, que espera desmanchar como a maioria dos lixos.

Saiba, não dividirá nada, fará o que é seu...
Porém o resíduo fica pros dois.


Ney Dias














segunda-feira, 5 de maio de 2014

Eu vejo!

Vejo poesia no relógio parado.
Na porcelana velha em cima da prateleira.
Vejo poesia no gramado falhado da casa abandonada, porém habitada.
No olhar do homem mal vestido, e mal cheiroso, em meio a riqueza da metrópole.
No pequeno cão, preto no asfalto fazendo sombra.
Na cinza do cigarro. No ambiente fétido que reflete a alma.
Vejo poesia no sorriso da moça, no abraço da criança.
No cumprimento do ébrio. No seu repetir de frases inúteis.
Na lágrima, nas lágrimas, do sorrir, chorar e se emocionar. Na luta...
No estresse do trânsito parado, na calmaria de um parque ensolarado.
No caos emocional do amar, na ânsia do querer, na colonização do outro.
A sinto no semi silêncio do banho.
Na bronca da mãe, na contrariedade do filho. No nascer e no morrer.
Na penetração bruta e no toque sutil.
Não faço poesia, as colho no jardim do existir.

Ney Dias

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Apego

Dividido estou entre pequenos pedaços de esperança.
Tecos, partes, partículas !

A cada um entrego uma amostra do meu ser.
Querer juntar-me? Nunca!

"Leva-me essa" parte consigo e não traga mais, carregue-a, mesmo que nem sinta mais seu peso, que nem espaço ocupe na sua bagagem.

Que o cheiro podre não incomode mais.
Que o sorriso morto levante e ande em direção a olhares merecedores.

Que sejam muitos, que sejam importantes, que sejam válidos até que sejam.

E só eu, apenas eu sinta o pedaço que foi levado.

Quando me tocar, sentirei a falta do que um dia foi de minha posse, e que hoje já não tenho mais ao alcance de minhas mãos, olhos e alma, pois dividi!

Que nunca jogue fora, pois não é sua propriedade, está cuidando pra mim de algo que não é mais meu e nem seu algo sem dono por abandono!

NeyDias

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Nunca a última ceia.

Não quero, não abro mão.
Sou sim um sonhador, que me perdoem os mestres e pensadores.
Crio minhas ilusões, as amo, me apaixono.

Me alimento do irreal do lúdico, oh vida chata, e morna.
Deixe-me adoça-la, criar em ti algo mais amável do que a dura realidade mal cheirosa que me é oferecida.
E aos meus, se quiserem provar comigo o doce do imaginário...
Será servido o banquete, e apreciado com todos os sentidos.
E aos sem boca, triste fim, real.
E aos sem boca, resta apenas o cheiro que não me agrada as narinas.

Lindo, é a liberdade de não cheira-lo, de criar meus aromas.
Ah! Não posso empurrar-lhe garganta a baixo, sonhos meus.
E nem levar seus dedos cegos a mesa posta.
Meu rosto se entorta, com ar de tristeza e desdém. Por não sentares a mesa...
E nem degustar o que preparei. Com tanto amor, arte, e criação.

Se preferes vestir-se de criatura, triste fim, real.
Me encanto e me moldo para caber nas vestes de criador,
mesmo eu não sendo nada além de nada, crio. E quem não pode?
Os sem boca, as criaturas, os moldados, os prontos...
Chatos niilistas, pobres niilistas.
Estão prontos!
Mal sabem que prontos nunca serão, e a prontidão os deixa inacabados.

Crio, me crio, crio um, crio outro, volto pra terminar o eu.
Esqueço do outro, mas pronto nunca...
as vezes durmo pronto e acordo inacabado, e vamos nós, eu e os criados que criam buscar, a nova fórmula pra sonhar e adoçar a vida fétida.
O baquete está servido, sente-se se quiser.

Ney Dias



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Corta

A lâmina amar pode te ferir, ou ajudar a se alimentar.
Escolho cortar as coisas certas. Repartir...
Não sinto mais o sangue, o sabor férreo do sangue.
Retirei a poucos dias meu próprio fluido do meu paladar.

Amar, leve.
Amar, leve.
Amar, leve.

Onde você está agora? Qual o gosto em sua língua?
Escolha o doce...
Penso, logo existo, logo sinto, logo penso que penso por sentir.
Mas não! Sinto por pensar, acreditar sem gnose.
Sem me desconceituar, rendo-me ao arqui inimigo do meu crescer.
Maldito ego, inflama, me torna dor, pus e tirania.

Dramaticidade, minha forte inclinação.
Sou dotado disso, daquilo e de outro, dotado de mais do que menos.
Meu amor por ti será sempre seu. Seu amor por mim será sempre meu.
Mas não vivê-lo o transformará em órfão, seus pais o renegam.
Imaturo e infantil, largado para definhar, aos lobos jogado.

Estou aqui, esperando, querendo e amando.
Vire a lamina para o lado correto. Seu sangue não te alimenta.
Ataque os lados, a frente e atras, mas vire a lamina.
Já sabe que corta.

Ney Dias

sábado, 5 de abril de 2014

Profenid, tramal

Sinto o doping dos remédios. Analgésicos que tiram a dor física da ferida aberta por um bisturi metálico, afiado e frio.
Mas seu poder de alívio não ajuda nos cortes feitos pelas palavras ditas.
Sua mágica não tem alcance ao poderoso veneno do dizer.
E agora tudo muda, não há mais a possibilidade de aguentar algumas coisas, ou não há mais a possibilidade de acreditar em algumas coisas.
O encanto acabou, as máscaras cederam, o sonho foi assassinado pelo injusto mentir interno.
Suas migalhas já não alimentam o ser.
Tramal, tá mal... normal...
Até acreditei na alegria. Mas o orgulho é mais forte, a disputa é muito mais forte. São forças esmagadoras de competição. Armas pra um capitalismo onde a posse é gente, onde o imóvel fala, onde o presente sente.
Palmas pra escravidão, palmas pra hipocrisia que diz que não há escravos sendo que escravagista se vestem em peles de libertadoras.
Alguém me manda um analgésico pra essa dor.
Um remédio pra frustração, um anestésico para suportar o corte da faca amiga, da faca amante, da faca amor.

Ney Dias

terça-feira, 1 de abril de 2014

Sem título

Sempre me perguntei... Se seria melhor ser cego desde o nascimento.
Ou perder a visão ao longo da vida.
Se as imagens na memória, atrapalhariam na vida, trazendo a tona a saudade de um tempo de luz.
Ou ajudariam para todo o tempo de existência do ser. Mesmo que não visse, saberia a real imagem das coisas.

A vida resolveu mostrar-me, furando-me os olhos.
Me trazendo a luz, e sangrando minha visão. Agora terei minha resposta.
Provei o doce da vida, lambi e senti o prazer do vazio tapado pela primeira vez.

Mas como um filho morto em seus quinze dias de vida, seu corpo frio no berço.
O olhos não aguentaram, e sangraram... Escorreram pela face até o queixo.

E escuridão retomou o seu lugar de origem, o vazio retornou, e retomou ao lugar que sempre foi seu.
Vou tatear, sentir os contornos, os cheiros, mas com a imagem na mente.
Lembrar dos dias... Dos sorrisos... Das lágrimas... Dos toques...

Antes morto cedo. Cego cedo...
Antes morrer ao amanhecer...

Ney Dias

quinta-feira, 27 de março de 2014

Trufa com orquídea

Entre trufas, beijos, carinho e mensagens. O elo foi criado.
Entre lágrimas, sonhos e caras amarradas. O elo foi criado.
Entre crises, amor e ódio. O elo foi criado.

Linda a união, o nascer de alguém, e o morrer de outro.
Nada será o mesmo, nada voltará.
Me engulo por não gritar ao mundo.
Te amo.

As mãos foram dadas, as peles tocadas, a luta vencida.
Plantada a semente, regada será, o zelo do bom dia, o carinho do amanhecer.
E não se encaixam, mas se encaixam, pobre do pobre que não vê.
O toque suave, a busca do prazer, a intenção do amar...
Sinto o cheiro.

Os olhos cabisbaixos, a bochecha corada, a pouca e pequena lagrima formada na base dos quatro.
Que sorrisos lindos, infantis e lindos... Querendo sem querer o que não se deve.
Mas se quer... Deve poder... E se pode, por que não ter?
Os ângulos em tríplice forma a figura perfeita do amor.
E por que amar em linha?
Reta...
Reta...
O elo foi criado.

Ney Dias

terça-feira, 25 de março de 2014

Feliz!?!?!?!?!?

Cadê.
O que fizeram com meu vazio, que carregava a tantos anos.
Meu deus!!!
Taparam-me o buraco de desgosto.
Arrancaram me a mascara de mentira. Me trouxeram de volta a mim.
Onde está o rancor instalado, as dúvidas da vida.
Preciso me familiarizar com esse sabor doce.
Com a vida rica, e com o fato de ser feliz.
O que?
Feliz, sim feliz. Incrível esse sentimento novo. Alimentado por mãos amadas e amantes.
Onde foi o descaso, a desesperança, o anseio da morte a insatisfação como redoma.
Roubaram-me o direito de reclamar, de maldizer. Tomaram-me o balde de cinza e me encheram de cor.

Doce, doce, doce. Vida bela e vida doce.
Como os sabores se multiplicam em dois em três. E as bocas se fartam com o sabor melado do amar.
Ah! O que tenho a  dizer sobre isso, não sei.
Os olhos escurecidos ainda, não se familiarizaram com a luz. O som encantador ainda não é reconhecido pelo ouvido moco causado pelo costume do silencio do enclausuramento.

Agora o mundo se abre. As nuvens se vão, e atacado por um sorriso insistente que força o lábio para as extremidades...
Bobo... O pierrot, já não se acha digno da lágrima.
Que o picadeiro seja colorido e tenha lugares, espaços, assentos para todos.
Sejam bem vindos, bem vindas ao show. Onde o público não aplaude mas o artista está Feliz.

Ney Dias

Alice Sant'Ana

Peço perdão aos morenos altos, bonitos e sensuais... Mas prefiro o meu baixinho branquelo! Pena que ele não gosta de Chico e nem de mim. Ainda assim eu insisti, fui a luta porque sou brasileira, mulher e não desisto. Quase movi montanhas, literalmente. Uma roupa desbotada, uma planta seca. Confesso, parece que a gente não tem mais graça. Eu como sempre, fui até onde pude, segurei sozinha dois corações desarmados e desprotegido, no relento de uma vida perigosa. Os dois, escolhemos -apesar do bom senso- abortar um sentimento incapaz de falar por si. Ficamos grávidos, mas não podíamos esperar. Porque esperar cansa e no cansaço e maresia de uma cidade fria, eu me diluía feito açúcar... E fim.

Alice Sant'Ana

domingo, 16 de março de 2014

Alice Sant'Ana

Eu tô impaciente, fiz escolhas inconsequentes, agi com pensamentos de segundos. Eu, que penso tanto pra falar. Eu, a ovelha negra. A mulher da lua, corpo, sol e poesia nua. Refazendo passos incertos longe dos teus olhos negros e sobrancelhas cruas. Usando do teu fardo cansado pra me derreter em prazeres raros e rápidos, fugaz como o perfume da noite que se perde em nossos corpos encharcados pelo suor e brisa da relva. As estrelas abençoando e concebendo uma vida além da nossa. Vida mais incerta que meus passos e seu som. Som esse que me toma o peito e teme em me transformar em uma amante de palavras cantadas, palavras que você sussurra em meu ouvido enquanto prova do meu mais proibido pólen. Me roubando o direito de saber andar sozinha. O direito de seguir sem mais ouvir a tua voz, dizendo pra onde devo ir. E eu me viciei no doce que o prazer me deu ao sentir seu mel, seu toque e delicadeza. Meu pescoço sem restrições, marcado por tua boca desenhada, ainda te espera e a minha boca sem vergonha que já tem total intimidade com a sua, grita pra dentro que de ti precisa e para completar, que de ti não é completa. É só mais uma boca, sem vergonha.

Alice Sant'Ana

terça-feira, 11 de março de 2014

Pra você.

Com as asas que recebi, resolvo pousar.
Seu ninho me traz a calma que necessito.
Com a libertação que recebi, me escravizo a você.
E nem ouse não ser minha dona.

Lutei, perdi, ganhei e era meu porto seguro.
Luto, perco, ganho e é meu porto seguro.

Mas essas asas, não me servem só pra voar.
Servem pra te aquecer, pra te trazer a segurança que lhe falta.
Encosta aqui seu cansar, traz seu frio, as penas quentes que me fez.
Cubro-lhe, aqueço-lhe. Essas asas não são minhas nunca foram...

Lutei, perdi, ganhei e era meu porto seguro.
Luto, perco, ganho e é meu porto seguro.

Absorve de mim, o êxtase do amor.
Divide comigo o âmbito de meu amar.
Reverencio-te és majestosa na arte do amor como nunca imaginei que fosse.
Teus passos me ensinam, me calam.
Sua mudança me muda, me traz de volta o verde claro e belo.
E como é verde! Ela reluz. E ela é tua, é nossa.

Hoje gritei ao céu, sem testemunhas meu amor.
Nas ruas escuras sem testemunhas ou expectadores, gritei seu nome.
Gritei, abri minha garganta, com a força descomunal do sentir.
Algo grande, enorme que cresce sem cessar, sem dar trégua.
Como um bobo, te chamei com a certeza do seu ouvido longe.
Mas eu, eu ouvi, com o familiar tom rouco de minha voz seu nome.
Dentro do carro barulhento, em meios as casas caladas, as ruas sem som.
Teu nome reinava, lindo e majestoso, era o seu, só ele.

As palavras pulam dos dedos, quero te dizer, em meio seu sono.
Estou aqui a dizer-te, quero que saiba, de alguma maneira.

Seu corpo longe, mas nunca tão meu. Meu corpo longe mas nunca tão seu.
Cravou um sorriso em meu rosto, marcou minha face com seu amor.
Colossal amor, abissal amor, descomunal amor, desmedido amor, nunca visto ou vivido.
Farei jus a ele.
Farei jus a ele.

Ney Dias

domingo, 9 de março de 2014

Só ele sorriu.

Ele sorriu!
Ele sorriu!
Ele sorriu!
Ele sorriu!
Ele sorriu!

Gritos afirmaram...

O morto sorriu!
O morto sorriu! O morto sorriu!

Poucos viram, mas os poucos que viram afirmam de uma maneira absurda.
O cheiro de flores, velas e lágrimas nada daquilo combinava com ele.
Mas era de costume, a família todos fizeram o clichê.

Era estranho vê-lo naquela caixa de madeira, o ar de tristeza pairava.
Muitos estavam ali.
Eram tantos...
É claro que não deixariam de ir, era a despedida.
Onde tudo de ruim se vai, e o bom se valoriza.
E todas e todos estavam ali. Era uma confraternização, onde a dor é força que une.

E ele sorriu!!!

Ney Dias

João Bobo

Cabeça.
Olhava pra baixo, sua cabeça solta, olhava seu corpo pela primeira vez desmantelado.
Tudo que era seu estava destruído.
A cabeça pensava.
Ele podia estar vivo, podia fazer parte de algo... Não mais!

Pernas.
Pernas já não eram um par e sim cada uma delas solitárias se tivessem olhos se olhariam, se boca tivesse lá, perguntariam por que?
Elas que sempre juntas foram importantes uma a outra. Se completavam, estaria ali a outra quando uma faltava em tocar ao chão.

Braços
A pressão foi grande demais, era duas forças inversas, crianças puxavam para o próprio lado forçando...
Pedaços de pano espalhados, não poderia se juntar mais. Não pude aguentar.

Aqueles meninos, eles me queriam, então puxaram, com toda a força que tinham em seus braços, em seu querer. Era deles, e ambos sabiam disso, e ambos o queriam, era uma brincadeira gostosa.
Agora seus olhinhos infantis olhavam para os destroços.
O que sobrou é inútil...
Já não era mais um brinquedo legal. Estava quebrado.

Bobo o brinquedo em achar que não quebraria. Que as crianças poderiam repartir, e brincar.
Naquela cabeça sem corpo passava uma dúvida.
Morrerei? É possível um brinquedo morrer?
Espero que seja, não posso lidar com isso, mas era pedaços por toda parte e quando a cabeça sendo carregada pro lixo conseguiu ver as crianças com brinquedos novos.

Ney Dias

sábado, 8 de março de 2014

Matemática

Inexata, errante, e dissimulada.
Meus números não batem, minhas somas são outras.
Meu resultado é sempre maior que dois na operação do amor.

Me divido em partes iguais ou não.
Multiplico o pensar em números irracionais e pensamentos ainda mais.
Não há equação que descubra minha incógnita de ser e sentir.

Operações falhas, e errantes que trazem intensidade em não saber o que o problema pede.
És parte da coisa mais fantástica. Parte apenas de mim, que não impede de ter parte em outras operações menos ou mais importantes.

Exercício, exercite, a arte de multiplicar o que se pode dar a um, infinitamente dividir.
Divida-me e somará.

Ney Dias

sexta-feira, 7 de março de 2014

Ele ama

Era cabisbaixo, olhado de longe parecia menor que sua estatura real.
Seu caminhar, lento, munido de passos curtos, e pés arrastados.

Desleixado, barba por fazer, não de uma maneira interessante, mas que lhe deixava o rosto sujo e envelhecido.
Suas vestimentas não ornavam, não era importante isso a ele. Mas um dia foi...

Seu trabalho maçante e desinteressante o acorrentava algumas horas do dia, essas que lhe faziam por algum tempo não maldizer a vida.
Seu sorriso pardo, aparecia de tempos em tempos, afim de calar algumas perguntas.

"Estou bem" era o bordão de seu comprimento, e um, "e você?" desviava qualquer tipo de investigação ou dialogo sobre ele.
Parecia ter se acostumado com a ausência de pessoas ao seu redor, comia só. Bebia só.

Era raro mas diziam que as vezes uma ou duas lágrimas desciam até metade do rosto, mas eram recolhidas rapidamente pela mão, e os olhos, ressabiados, fitavam aos lados afim de localizar possíveis testemunhas.

E os comentários existiam.
A pergunta mais comum era. " Por que ele é assim?"
E a resposta era...
Ele ama!

De repente trinta...

Aprendi que o amor sempre vai prevalecer.
Que amizades são duradouras e importantes mesmo a distância.
Que o bem sempre será pago com o bem, e que a deus é justo.

Ouvi que tudo o que sonhamos, e quisermos de verdade é possível.
E que acreditar é o básico pra alcançar o objetivo.
Que sorte é a união de oportunidade com preparação.

Que verdade é sempre a melhor opção e...
Que o amor é o sentimento mais forte que existe.
Que o amor é o sentimento mais forte que existe.

Obrigado vida por aos meus trinta anos me mostrar que nada disso existe.
Seria uma tragédia se fosse mais tarde.

Ney Dias

quinta-feira, 6 de março de 2014

Retrovisor

Ao lado de minha cabeça, um pequeno espelho me mostra o que deixei.
Insisto em olha-lo sempre e lá encontro tudo.
Deixado em algum lugar, em algum momento da minha vida, pequenos pedaços de sonhos estilhaçados ao longo do convívio vil.

Lembro-me de pequenos desejos, alguns findados por outros.
Lembro-me de amores, findados por outros.

Amigos que se foram, e acreditam ainda estar.
Amigos que estão, mas acreditam ter ido.

Belo o reflexo que enxergo, um sonhador, alguém próximo de mais da felicidade.
E era bom sonhar...
Eram múltiplos sonhos e desejos que faziam-me respirar fundo, com um sorriso no rosto.

Eram lindos os sermões que defendiam ideias estapafúrdias, sempre frente a uma "sociedade", uma pequena classe social de desocupados, característico de um garoto de uma cidade pequena e "pequena".
De quem não era de muitos amigos, mas amigos de muito valor.
Oh o valor, era muito dado. Pedaços de tudo, compartilhado e mostrado como se fosse de posse comum.
E agora tudo faz parte de uma imagem congelada na magia do reflexo.
Levo minha mão frente ao espelho, e sinto seu toque frio do vidro.
Onde só se tem o que ver, e nada pra tocar.
É despertada a vontade de entrar no mundo mágico do espelho, onde tudo é lindo.
A morte emocional está ali. Não há mais o que se preocupar no espelho.
Opiniões contrárias não existem no mundo refletido.

terça-feira, 4 de março de 2014

Politudo

Espero que não apenas  me deseje, mas deseje pra si, meus desejos.
Não quero que me procure, mas procure comigo, o que procuro pra nós.
Abra mão de si, abra mão de mim, junte se a nós como parte e não todo.
Espero que não me queira apenas.
Quero que queira meu querer, e sinta o desejo sórdido comigo.
Alimente minhas ideias fúteis, com seus pensamentos falsos.
Ame meus amores.
Ame meus amores.
Olhando em meus olhos, veja a loucura que despejo ao redor de nós.
Ame essa loucura, sinta os gostos que gosto, as texturas que me excitam,elas farão parte também do seu cardápio agora.
Lace minhas presas.


Serás minha e eu não serei seu, serei seu e não será minha, mas nossos desejos serão nossos.
Amarei-te acima de tudo, darei-lhe meu amor, e com ele o direito de amar, não só a mim, e trará o que eu ame afim de me pedir o impedível.

Fura-me o peito com o punhal do ciúmes, crava-me a estaca da insegurança e ainda assim...
Vou querer o que quer, desejar o que deseja amar os seus amores.
Alimentarei as ideias estapafúrdias suas pra ver o brilho em teus olhos.
Sonho em olhar-te não minha, em ver-te louca errando. Pisando em cacos de vidro pra, trazer-me seus pés a mim, implorando curativos que lhe serão feitos.
Amarei seus amores.
Amarei seus amores.
És minha sou seu, somos nossos e de outros. Mesmo que seja agora, amanhã ou eternamente.
Mesmo que seja ontem.
Linda, seu caminhar é belo, forte e gracioso.
Lace minhas presas.

Ney Dias

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A caixa

Fecho a tampa todos os dias, uma frágil tampa mas a fecho.
Os pequenos pedaços se empilham em seu interior.
Cada boa noite, cada bom dia, cada te perdoo, cada perdão;
Cada oi e cada tchau, cada como você está e cada estou bem;

Guardo nela todos os, por que fez isso, e fiz porque.
Todas as vontades e anseios, recusas e convites.
Fotos que foram e não foram tiradas, ligações não feitas e não atendidas.

Sua tampa sem poeira de desuso abre e fecha todo o dia. Toda hora.
Guardo nela as mágoas os sorrisos, os carinhos e os olhares frios.
Molho seu interior e seus pertences com suas lágrimas e as minhas.

E embaixo, bem lá em baixo coberto e molhado.
Bem esquecido e desfeito do tempo.
Guardo o eu te amo. E ela guardo apenas ao meu alcance.
Em mim, onde não vejo não toco mas sinto.

Ney Dias

Vilarejo

O que é seu sonho será o meu.
Agradeço por não desistir do seu foco de vida. E me deixar humildemente acreditar com você.
Traz pra mim seu devaneio mais questionável e buscaremos juntos uma maneira de provar a todos que são loucos de não te entender meu amor.
Sua insanidade será minha.
E se não fizer nenhum sentido pra mim vive—la o louco será eu.
Direi a mim. És doente por não ver que ela está certa?
Queres morrer sem ela?
Abra sua mente homem!
Acredite, viva, e trarei pra mim seu amar.
E trarei pro meu viver seu viver.
Sem mais.
Sem reticências.
Sem por quês.
Seu homem nasceu de um vagabundo, um vagabundo lesado pelo sofrer de desacreditar.
Morte ao vagabundo. Pedras ao vagabundo. Matem com eles seus erros afim de trazer de volta a verde que fede.

Ney Dias

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Lepra

Enquanto caminho pedaços se perdem.
Deixo partes do homem que sou, fui, por onde passo.
Foi livre meu pensar, minha vida a imaginar, quando tive um sonho a sonhar.

Agora com minhas partes foi algo que não sei bem.
Que levou, o tempo, e agora já não sei.
Se um dia vou recupera-la se quero ela novamente.
Te juro já não sei.

Cada dia acontece isso, sei que deveria agradecer.
A mudança oferecida pela vida, aumentando meu saber.
Mas bem cansado de sofrer com as partes retiradas. De fazer as ataduras, dos remédios amargos.
Já sou só bandagens, curativos, já não me vejo por inteiro.
As vezes me desconheço e me reapresento no espelho.
Com medo de me esquecer, de não lembrar do que um dia já fui.
Gostava de mim inteirinho, como era antigamente, um ser com todas as partes.
Corpo, Espirito e mente.
E, um sonho na mente carregado de amor...

Mas vou andando com o que resta. Não peço muito mesmo.
Não vou acreditar mais, só isso, que minha parte voltará.
A fim de não tirar os curativos e machucar de novo em cima do mesmo lugar.
Por que dói. Uma dor que demora de passar. Impertinente e duradoura.
Firme forte essa dor, até mais forte que o sonho que se foi.
Durará mais bem mais, que a esperança de ver o sonho em vida.

E os pedaços? Devem estar em algum lugar, completando como peças.
Outros homens e mulheres, que quiserem mais eles como deles.
Mais que eu quis.
Mais que eu fiz questão de tomar cuidado pra que não caíssem no caminho.
Que façam bom uso. Que não percam também.
Que lhes sirvam como guia para algo diferente.
E que usem eles bem longe de mim, pra não despertar a inveja no velho dono desse sonho mágico...
E irreal.

Dói.


Ney Dias

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Mágico de óz

Dentro de uma cela de certos e errados, com grossas grades construídas de ideias formadas.
Abro mão de ser alguém que sonhei pra ser alguém que sonharam.
Visto um pesado uniforme de bom homem. Tecido e alinhado por conceitos externos.

Que lindo está agora...
Com seu novo traje elegante, desfila entre hipócritas felizes como mais um condicionado.

Ainda falta muito, mas agora está no caminho certo...
Ouve tais palavras, e as absorve, com um sorriso que combina com sua nova vestimenta.

Mas pensa, hipócritas, ditadores...
Mas o sorriso não lhe sai do rosto, dando o que todos querem... Obediência. Segue...

Segue passa a passos largos pela estrada de tijolos amarelos, aplaudido, levado, apoiado.
Sua cabeça erguida pesa. Pesa mais que antes quando estava baixa, era cabisbaixo, porém caminhava pela sua estrada, mesmo sem tijolos, ou qualquer tipo de pavimento, era sua, sua linha, seu caminho.

Em busca do mágico que sabe não ter verdade alguma a lhe oferecer.
De onde vem tal crença, essa que agora era dele. Era? Se perguntava...
Todos os dias se perguntava.
Todos os dias se perguntava.
Mas, já via a sua sola do pé amarela, seus corpo amarelo, seu sorriso amarelo...
Mas combinava com seu traje.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

É sentindo que se vive...

Parte da fumaça cinza sobe em meio ao rosto úmido. A escuridão embeleza a cena fúnebre, os pequenos sons da noite tocam o íntimo do pobre homem. Que esquece do alto barulho mental por pequenos instantes quando lê. Do outro lado inimaginável cena se esconde a quilômetros de distância, mas lhe envia doces dizeres de esperança. É sentindo que se vive... Repete mentalmente... Várias vezes como um mantra. Doces palavras. Que entre o nebuloso estar pessoal, tenta iluminar.

Mediano

Artista de merda. Isso, artista de merda...
Anarquista de onde?
De facebook? De anedotas?
Anarquista de merda.
Arte é vida é grito e é sussurro,
É expelir com força o que te incomoda e sugar o que lhe falta.
Moldar a vida alheia antes da própria, mostrar, fazer...
É saltar muros, desatar nós, arrebentar algemas. Rir de grades e voar acima, bem a cima do chão onde fincou seus pés covardes.
Talento de bosta. Porra nenhuma de vida livre, de voar.
Cidadão?
Onde? Politicamente correto; Nunca!
Vida morna, é isso... Vida morda, não fede não cheira.
Não irá a lugar algum com sua complacência, comodismo.
Desnuda-se? Não!
Enfrenta? Não!
Muda? Não... Não e não!
E sim abre caminho pro comum se instalar, pro fácil... Rende-se.
Tardia será sua morte se amanhã chegar, e se não vier, porque, esqueceu-se de ti.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Só por hoje

Não pretendo desistir.
Que seja todos os dias, que seja todas as horas...
Não pretendo desistir, não faço questão de abrir mão.
Que seja bem difícil, ainda mais que seja impossível.
Não pretendo desistir.
Meu só por hoje me guia como uma referencia.
Meu passado me mostra onde não quero ir.
Que a dor venha, que as lágrimas desçam.
Minha luta travo eu, minha vitória não me da nada, a não ser, o eu em troféu.
Não serei aplaudido, ou reconhecido nas ruas, minha luta é anonima mas minha derrota pública.
Mas não ei de perder, posso fraquejar, e meus tropeços servem como alerta.
Não pretendo desistir.
#NeyDias

Esquizofrenia por que não?

Estou caminhando para a loucura.
Sim, a loucura!
Não a bela loucura literária, aquela dita nos livors de amor, bonita de ver.
Não!
Não ela, não estou louco por aquela ou aquela outra.
Não louco por adrenalina. Louco.
O puro e esgotante estado de loucura. Minhas ideias giram hora em solo firme, hora em nuvens, que não me deixam cair, e sim me aprisionam em sua macies.
A ansiedade de gritar é mesclada com o poder monárquico do silêncio.
De onde vem?
Sempre esteve ancorada a indispensável necessidade de razão. Não quero mais...
Vou deixa-la invadir a mente. Por que não?
Outrora valorizei demais a realidade que nunca me abraçou, me afagou. Afasta-te... Agora vou criar a minha.
Minha real fantasia de viver. Meu circo de horrores e palhaços chorões.
Ney Dias

Erro?

Me embriago do ver, do ouvir e do pensar.
O outro me enlouquece com seu errar, traz me a visão do "erro".
Como posso eu saber de seu "erro"?
Quero os motivos, os motivadores, motores de pulsão do errar, do agir sem pensar, pensando apenas no agir.
Mecanismo intenso de pulsão, que move ao abismo do certo e errado.
Segura minha mão, vamos juntos em queda livre, encontrar o solo duro da consequência.
Seu "erro" te faz sorrir? Aquele sorriso que arde os olhos de quem vê. Vê com o desprezo do julgamento.
Juiz algoz.
Não! Abro mão do cargo, abro mão dos doutorados de defensor ou acusador.
Quero só o sorriso de quem erra, a ternura do não reconhecimento, a beleza da mentira.
O marejar dos olhos humanos que dizem muito, sem envolver a boca...
Ela amarrada pelo orgulho. Cala-se.
Cala-te mesmo e deixa o errar nascer, crescer e trazer o que tem que trazer.
Vogo pelo direito de errar, de causar dor, de causar ódio, de ser responsável por lagrimas.
E lhe transfiro de bom grado tal direito. Me ataque com seu erro, que me defendo com o amor.
Ney Dias

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Caos

Belo por ser triste,
Por que só o sorriso lhe atrai?
Encanto me com a lagrima,
O doce sentir da dor,
O amor da luta contra o caos...
Caos emocional que vivo...
Entre enormes sofreres vou sorrindo,
e amando...

Quero você mesmo que não sinta que quero...
Ney Dias

Nego-me

E se o tempo passar...
As dores trazem aprendizagem e isso amedronta.
De que vale aprender, se tudo se for?
O luto atravessa a alma e tenta ferir a carne.
E quando aprender?
Posso voltar o tempo e viver o que deixei pra trás, posso recuperar os sorrisos que não sorri?
Os abraços que neguei-me a ter? Os beijos...
E se pronto estiver, mas a vida não me der outra chance?
Vida... Faço o que com essa saudade do tempo que ainda ei de perder?
E se o tempo passar?

#NeyDias

Desata-me

Desata-me...
Me desprendo das amarras do saber...
Das amarras do pensar alheio, dos conselhos e conselheiros...
Me liberto do certo do previsível. Solta-me, livra-me.
E quando isso realmente acontecer, estarei ali, aqui!
Preso por querer, sem a retenção, a restrição do ter...
Se sou teu, meu ou de ninguém pouco importa agora!
Sugiro a ti e a mim...
Desatar...
Libertar...
Amar apenas amar...

#NeyDias

Você (sem você)

No seu abraço me encontro agora...
Seu canto manso e silencioso me faz pensar e redigir minha vida. Oh solidão sempre trazendo minha companhia. Que nem sempre é agradável...

Sinto me frágil ao seu lado, como quem vive a louca procura de algo ou alguém pra preencher um vazio impossível de ser preenchido. Esse seu silencio me atordoa a alma e me envenena o sorriso...

#NeyDias

Quarto (covil)

O silêncio e a escuridão...
É isso que hoje me acompanham...
Meu quarto escuro, a névoa negra e densa cobre os móveis. O tic tac do relógio e o zumbido de um mosquito. São as duas únicas notas musicais que de segundo em segundo, tempo em tempo invadem a liberdade de estar ligado com a ausência do som em meus ouvidos cansados!

#NeyDias

Amor

O básico deixou de ser o básico... O muito agora não tem mais a serventia de tal...
O vazio instalado nasce no jardim e enraíza na alma como uma erva daninha. Ela que também tem o direito de crescer, que também tem o direito a vida... Matando, sufocando a pobre vitima que nada fez, a não ser... ser!

#NeyDias

Quebra cabeça

Tão iguais e tão diferentes...
Por que?
Pergunta clássica quando o fim não é o esperado...
E se fosse o esperado?
Que fim é esperado?
A dor é inevitável, intransponível...
A falta traz desespero e dor. Tristeza...
A tão bela tristeza que agora vai ficar, perdurar.
E se posso mudar isso? Não posso!
Não tenho esse poder... Transformar-me, transformar-te!
Ridículo, ridículo, ridículo...
Me falta uma peça!!!
#NeyDias

Ordeno-te

A noite vem com a beleza da escuridão...
Onde a silêncio traz a paz...
Os tons de cinza nas coisas embelezam a vida morna.
Não há por que temer o solitário.
Não há por que temer o incerto.
Não há por que temer o louco.
E sim, temo o corriqueiro o previsível.
Que nada me traz de novo.
E o que há de mais imprevisível que o escuro?
Vem comigo pro meu imprevisível. Traz pra mim o sonho ensolarado que tanto almeja e me deixa acinzenta-lo com meus devaneios mais vis...
e meus desejos insanos.

#NeyDias

Argh

A quanto tempo somos perseguidos por razões pré estabelecidas...
Pela verdade alheia que é forçada garganta a baixo das minorias?
Não se é respeitado opiniões ou sentimentos, é apenas imposto, imposto e imposto...
Minorias são o tempo todo isoladas em suas maneiras de pensar, automaticamente cobradas por apenas serem diferentes...
Lutas internas se instalam, pois as pessoas que cobram geralmente significam muito e assim a mudança forçada parece a unica opção... Adequar-se parece libertador...
Mas geralmente é temporário e o desconforto da mascara vestida se torna um fardo pesado demais pra ser carregado dia após dia..

#NeyDias

Cárcere

Cada dia é uma novidade.

Todos os dias acordo e me deparo com algo diferente, que vai atacar minha estabilidade.
Meu querer é torpe, e com isso a vida me questiona todos os instantes.
O caos emocional é o que mais me acompanha com os devaneios tais.

Instável...

Instabilidade estável que mora em minha mente.
Me transforma e me destrói várias vezes em um mesmo período em que alguém nasce ou morre!

Cinza é a cor da sorte
O opaco da sua beleza me lembra meu estado atual.

Abro mão do brilho, abro mão do lúdico.
Aceito a cruel realidade de não ser aceito.

Condeno me a ser analisado, testado, condenado ou libertado se preciso
Mas não me condeno mais ao cárcere do amor.

Ney Dias

EU2

Cala-te...
Não ouse falar comigo maldito ser...
Tem a visão deturpada, olha sem ver...
Ouve sem escutar. Tem o ouvido moco!
Faz criar espetáculos onde não há plateias felizes e sorridentes.
Sobe no palco sem a noção do que está por vir.
Tomates, tomates e tomates.
Ei de te atirar tomates até sua morte em frente a plateia cinza.
Sai de mim!!!
Cala-te, não lhe deixei falar em minha mente, nem ao menos ter ideias vis!

#NeyDias

Insano ter.

Seu silêncio me ensurdece...
Escutar seu calar me faz enlouquecer.
Sentir sua ausência perto é incomodo e doloroso!
O que me falta?
O que te falta?
Somos dotados de imperfeições, mas perfeito seria se fosse diferente?
Minhas imperfeições não tardam a aparecer, estão ao lado a frente...
Sinônimo de loucura!
Seu calar me prova isso...
A inconstância de ser... do querer... do estar...
Insano...
Amar e querer só podem ser insanidade...
Acreditar na existência de uma parte fora de mim, que minha é...
Que me deve, que me falta...
Encontrei, mas parece não querer, não ser, não estar...
Seu silêncio é alto como um grito de horror. E estou bem de perto ouvindo ele!
#NeyDias

Voo

Com as asas que recebeu...

O pássaro percebeu que não tinha o direito de voar.

E sim obrigação!

#NeyDias

Inadequação...

Inadequado!
Adequar-se a que?
A tudo? Por que só assim poderei caber em algo pré estipulado...
As fôrmas, são preparadas pra dar formas ao ser humano.
Nunca me senti confortável enformado.
Sempre tentei mudar minha forma de ver o mundo e as pessoas...
Mas isso me moldou inadequado.
Um vilão da vida real!!!
Mostrando a cruel realidade aos príncipes e princesas. Trazendo pessoas pra cinzenta verdade sem flores ou jardins, gramados verdes ou arvores na colina.
Mas o vilão nunca sofre... Tem seu coração de gelo, não se afeta nunca, sente só o que quer...
Meu mundo por um dia de psicopatia!!!
#NeyDias

Escravagista

És dona de que?
Vejo eu... Dona do seu físico, e o leva a distâncias impercorríveis. Olhar todo seu, não há dúvidas, que resfria, atinge...
Mas digo com ênfase, que nosso é seu sentir, seu pensar, seu cheiro que me segue e me enlaça na noite, me envolve, me persegue e me lembra tua posse errônea. De acreditar ser dona de si por inteiro, mas não é.
Homicida.
Mata o que não se morre.
Adormece...
E, adormecido ronrona, ressona, e lembra tua vontade errônea de findar o que é infinito.
Bela perfeita imperfeita, pronta e acabada, sem brechas.

#NeyDias

Momentos

Momentos.
Mortos, momentos mortos.
Ligam a vida ao mundo distante que não vivemos.
Deixe-me de estar, me livrei de acumular tais arquivos.
No diário, não está, só é possível relatar imaginações criadas.
Narrar o que não se viu.
Mortos estão!
Mas voltam assombrando, sussurrando no ouvido a incapacidade de ressurreição.

#NeyDias

Autolesão

E ele achava que sabia o que era dor...
Mas ela se misturou. Se aliou as lágrimas, soluços e pequenos grunhidos que não lhe eram familiar.
Nem sabia que poderia produzir tal som animalesco.
Mas foi assim que viu o sol ir embora com todos os demais.

#NeyDias

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Existir

Existir...
As vezes dói, tal existência pra mim é mais difícil...
Talvez por ser minha, e não do outro...
Não precisa muito pra que meu paraíso se transforme em inferno e vice-versa.
Hoje compreendo claramente do que fugia quando me dopava algum tempo atrás...
Fugia de mim. De ser eu mesmo... Fugia da grande dificuldade de lidar com esse turbilhão de sentimentos que sou eu... Dessa fúria que cresce dentro de mim quando contrariado... Ou da enorme dor emocional que me dilacera quando amo e perco quem amo... Dessa euforia esvoaçada quando me sinto bem... Ou da ansiedade gulosa que me toma quando esqueço do hoje! Existir pra alguns, algo simples...

Pra mim...

#NeyDias