Chegando, menos um.
Menos um ano, canso dos parabéns!
Bolo, festa...
Se tivéssemos real noção da morte.
Não caberia festa ao fim de um ciclo de vida.
Se tivéssemos noção de vida
pior seria!
festejamos anos jogados fora!
Anos vendidos, alugados, emprestados, doados!
Um ano de todos, menos meu!
Reconhecemos a existência de vida e de morte.
e vivemos como se não houvesse nem uma nem outra!
Horas, dias e semanas que se foram
Sendo usadas para pensar e viver um futuro que nem existe
E talvez nem em futuro se transforme
uma realidade que não foi passadoe vivemos como se não houvesse nem uma nem outra!
Horas, dias e semanas que se foram
Sendo usadas para pensar e viver um futuro que nem existe
E talvez nem em futuro se transforme
não é presente
e não será futuro
Apenas neuroses de uma vida plena
neuras
obsessões
Labirintos de alegria, cheios de paredes coloridas
Que nos mantém isolados e seguros da vida como ela é
cruel e caótica
homo homini lupus.
Não há lugar seguro.
A necessária socialização nos fez presas entre nossos iguais.
homo homini lupus.
sua vida será opressora ou oprimida
não há lugares seguros
distribuída a vida se foi
mais um pedaço
que se foi!
E desta vez o que carrego é apenas...
mais noção da morte!
Ney Dias