quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Noção de morte


Chegando, menos um.
Menos um ano, canso dos parabéns!
Bolo, festa...

Se tivéssemos real noção da morte.
Não caberia festa ao fim de um ciclo de vida.

Se tivéssemos noção de vida
pior seria!
festejamos anos jogados fora!

Anos vendidos, alugados, emprestados, doados!
Um ano de todos, menos meu!
Reconhecemos a existência de vida e de morte.
e vivemos como se não houvesse nem uma nem outra!

Horas, dias e semanas que se foram
Sendo usadas para pensar e viver um futuro que nem existe
E talvez nem em futuro se transforme
uma realidade que não foi passado
não é presente
e não será futuro

Apenas neuroses de uma vida plena
neuras
obsessões

Labirintos de alegria, cheios de paredes coloridas
Que nos mantém isolados e seguros da vida como ela é
cruel e caótica

homo homini lupus.

Não há lugar seguro.
A necessária socialização nos fez presas entre nossos iguais.

homo homini lupus.

sua vida será opressora ou oprimida
não há lugares seguros

distribuída a vida se foi
mais um pedaço
que se foi!

E desta vez o que carrego é apenas...
mais noção da morte!

Ney Dias

sábado, 13 de janeiro de 2018

A casa amarela!

Estava tão rápido
Tanto meu corpo dentro daquele trem, tanto minha mente que insistia em tornar-se obsessiva

Eram tantos pensamentos, tantos... “sei, não sei”.
Não sei bem o porquê, mas emoldurado pela janela do vagão pude enxergar o segundo andar de uma casa.
Uma casa amarela, talvez a cor, não sei.
Mas algo me chamou a atenção

A hipnose dos pensamentos repetitivos, foi destruída pela visão de uma família tarde da noite trabalhando, todos juntos.

Me pareceu uma cozinha, não consigo ter certeza.
Uma bela cozinha industrial montada sobre uma residência.

A poesia das pessoas trabalhando juntas em pró de algo destruiu com toda a negatividade que me perseguia durante todo o dia.

 ...um sonho em construção, ou um sonho em andamento.
Com certeza, jamais saberei bem o que estavam fazendo de verdade, e pouco importa.

A ternura me corrompeu.
Foram segundos...
Não faço a mínima idéia de quando tempo aquela imagem esteve ao alcance da minha visão.
E isso também, pouco importa!
Construí algo com aquilo.
Algo que não sairá de mim por muito tempo.

Pessoas.
Pessoas juntas...
O que somos que não isso?
Um emaranhado de relacionamentos com objetivos óbvios ou não!
Uma teia de conexões curtas e longas.
·... positivas e negativas.

Tenho a plena certeza de que algum leitor pensará;
-Que bobagem!

E de pensar
enraivecido resmungo, o que valorizas canalha?

O que há de mais interessante do que o outro ou eu mesmo em meio outros?

Nada.


Nem a casa amarela emoldurada pela janela de ferro, não seria nada se não fossem eles a preencher a pintura com seus mundos, seus universos, seus deuses, seus sonhos e fracassos!

E pensar assim, me traz a tona novamente o sorriso terno de outrora.

O sorriso bobo do sonhador que foi morto, morto a míngua...
Devagar
Não foi de solavanco, de repique que lhe disseram:
Esqueças seus sonhos, tolo, que não hão de ser possíveis!

Foi vendo aos poucos, de aborto em aborto seus objetivos nascerem mortos.

Mas não há morte que pare a alegria fértil
O nascer das conexões inundam o mundo.
De novos sonhadores;
Todos os dias o tempo todo.

Basta estarmos de pernas arregaçadas pra vida que bum!
Nasce um sonho
Outro, e outro e outro e outro!

E lá estamos nós, juntos, tarde na noite, na casa amarela.
Enquanto somos vistos por anônimos.
Que criarão poemas de nós que nunca leremos!