segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Lindamente loucos

Oscilações mútuas
Sei o que está aí

Porque está aqui.

Bobo eu de desconhecer
Boba tu de se esconder

Não há rosto que escolha pra te representar

Sinto sua presença

Mentes borbulhantes
Borbulham juntas em busca da solução

Da inexistente solução

Mágica
Trágica

Ilusão

Mas que seja

Use o nome que quiser, a máscara que quiser.
Não há vergonha
Ou há
Sei lá

no inicio meio e fim

Ainda te vivo

Dia após dia te vivo, te sinto!

E não!
Isso não é nem um pouco belo!

Calculo ainda meus passos meus toques, meus pensamentos!

Cerceado
sigo
sempre

mesmo apartado por opções impostas!

mesmo com o punhal ainda fincado nas costas!

vivo o dia de ontem o ante-ontem e sigo voltado a cada novo amanhecer

se isso não for doença
se isso não for insano
a vida é um engano
e não há satisfação preparada pra mim

errei em não me adaptar ao mundo e suas condições
Criei em mim a possibilidade da felicidade dividida

e acabei só

era óbvio pra tantos e quantos viram

mas eu arrogante e prepotente me vi onipresente
no inicio meio e fim

(de algo que nunca aconteceu
______________________________que só existia em mim!)

Ney Dias

Mas obrigado por perguntar!



Me encostei no canto, la no fundo.
Eram dez horas
Elevador vazio
Garagem vazia
Sábado a noite todos tem o que fazer

A pequena pressão da subida da máquina
Me fez ceder
Escorreguei nas partes de lata gelada
Fui até o chão

As pernas não aguentaram mais manter todo o corpo
Todo o fardo

Claro que a pressão foi uma desculpa

Precisava encostar ali naquele momento
Olhei pra baixo
Fitei o chão.
Próximo, muito próximo

Só torci pra que ninguém entrasse até meu andar
Não teria força pra manter a compostura

A porta se abriu

Ouvi um boa noite.
Voz de mulher, saltos, só vi os saltos

Não levantei a cabeça, respondi o um boa noite abafado por entre os braços apoiados nos joelhos.

Você está bem?

Mais uma frase veio dela

Um pouco zonzo, mas estou!

Foi o que me veio à mente.
Talvez tenha soado rude o suficiente pra finalizar o breve diálogo que foi tentando.

A porta abriu

Gerou a dúvida se era meu andar

Teria que levantar a cabeça, o fiz.

Era...
Um solavanco e me levantei.
Não a olhei nos olhos, não sei seu rosto, nunca saberei.

Mas obrigado por perguntar!