Me encostei no canto, la no fundo.
Eram dez horas
Elevador vazio
Garagem vazia
Sábado a noite todos tem o que fazer
A pequena pressão da subida da máquina
Me fez ceder
Escorreguei nas partes de lata gelada
Fui até o chão
As pernas não aguentaram mais manter todo o corpo
Todo o fardo
Claro que a pressão foi uma desculpa
Precisava encostar ali naquele momento
Olhei pra baixo
Fitei o chão.
Próximo, muito próximo
Só torci pra que ninguém entrasse até meu andar
Não teria força pra manter a compostura
A porta se abriu
Ouvi um boa noite.
Voz de mulher, saltos, só vi os saltos
Não levantei a cabeça, respondi o um boa noite abafado por entre os braços apoiados nos joelhos.
Você está bem?
Mais uma frase veio dela
Um pouco zonzo, mas estou!
Foi o que me veio à mente.
Talvez tenha soado rude o suficiente pra finalizar o breve diálogo que foi tentando.
A porta abriu
Gerou a dúvida se era meu andar
Teria que levantar a cabeça, o fiz.
Era...
Um solavanco e me levantei.
Não a olhei nos olhos, não sei seu rosto, nunca saberei.
Mas obrigado por perguntar!