quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Vamos!!!

Vamos tirar a selfie
Vamos mudar a vida

(Mando eu manda você? Mandamos juntos!)

Vamos fazer comida
Vamos curar ferida

(Faço eu faz você? Fazemos juntos!)

Vamos comprar um carro
Vamos ver a amiga

(Escolho eu escolhe você? Escolhemos juntos)

Vamos falar com ela
Vamos lavar panela

(Falo eu fala você? Falemos juntos!)

Vamos ser um inteiro
Vamos!
Vamos!

Valores
Amores
Pudores

Vamos beija-los

Mima-los

Nossos filhos
Nossos vinhos

Nossos amigos
Nossos vizinhos

Nossas paixões
Nossos carinhos

Nossas ilusões

Estamos sozinhos!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Mata fechada fecha mente

Descrença cresce
Como mato
Mata
Fechada, fecha a mente.
Mente pra gente
Inteligente
Fato
Mato
O monstro
Da mentira
Mas quem tira
O medo da verdade
Dessa humanidade
Imatura
Que tem
Medo da
Loucura
Sem perceber
Que todos loucos
Somos
Bobos
Em não crer
Que crendo acabamos
Não percebendo
Que mesmo vendo
O real
Se torna normal
Imaginar
Que o ideal é o que
Queremos e
Não
O que temos
Ou o que somos
Burrice
Tolice
Crendice
Ele disse
O orgulho
te enche o
Coração
De entulho
O peito de esperança
A mente de lembrança
E o todo inebriado
Vê tudo ao redor
Desgraçado
E vai buscar no futuro
Lá do outro lado do muro
Impulável
Inalcançável
Uma vida melhor
Sem lembrar que o pior
Vai carregar na bolsa
Que é sua maneira tosca
De lidar com a própria vida!

Ney Dias

Desassossego

De repente
um desassossego.
Não que esteja triste.
Bravo ou
preocupado.
É só que...
Do nada dá-me um desassossego.

Um friozinho na barriga
uma calação...
Nem sei bem no que tô pensando.
Se tô mal?
Sei não!

Só olho pras paredes e a bobiça passou
Sabe aquele risinho?
Que sem motivo tá ali?
Foi-se com a chegada do desassossego
e nem me percebi.

Aí encosto
Desencosto
Como sem fome
Bebo sem sede
Durmo sem sono
E se sono tem...
Não consigo dormir.

As engraçadas perdem a graça
As coisas chatas...
Nossa!
Da até raiva de fazer.

Se a geladeira tá cheia
Como uma tonelada
Doce então...
Nem me fala.

E não suporto uma zuada
Barulho de criança parece me matar.
Até um carinho gostoso pode incomodar.

Esse desassossego não é bom não!
E se eu não mudar dura um tempão...
Fico chato, ranzinza e rabugento.
Arrumo briga, faço merda que difícil ter perdão...
Só quem se dedica e tem talento pra aguentar o tormento de lidar com a adicção.

Ney Dias

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Quero minha Páscoa

Acordei morrendo.
Não sonhei.
Acordei de um breve sono inquieto.
Acordei morrendo.

Estou em desespero...

Logo eu que amo a vida
me dei conta da morte
vivente, presente, latente.

Todos meus órgãos funcionando
mas a respiração ofegante
ansiedade gritante.
Não há um engano.
Não é a morte chegando.

Ela já estava ali, parada.
Assentada. Arraigada.
Já fazia morada
em mim
no outro em todos.

Olho ao redor e só vejo morte.
Não vejo vida.
Não vejo briga
Não vejo brilho.

E mesmo onde acreditam ter.
Não há.
Acordei no susto da morte.
No susto,
Na sorte.

Minha vontade é gritar.
Sacudir, balançar os mortos...
Os mortos pelo sistema.
Que ainda servem seu algoz
e nem imaginam que não há
nenhum sopro de vida em seus corpos.

Bela morte de merda.
Nenhum herói.
Nenhum mártir.
Só engrenagens.
O ferrugem as come
em vida, os dentes, mais frágeis
são devorados primeiro.
Perdem agilidade
autoridade
utilidade

Descarte!

só o miolo inútil
sobra pro fim, final.

Teve vida?
Não... Morreu no nascimento.
quando se encaixou sendo girada e fazendo girar.

Todos em pró do sino.
Horas a fio, giro a giro
o que lhes sobra é
ouvir o badalar de longe...
sem parar de girar

Já estou um passo a frente
já sei de minha morte
descobri a tempo, vivo!

Vou dar meu jeito.
Se tiver sorte...
Ressuscito no terceiro dia.
Digo que um dia volto...
e tchau.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

A solidão da princesa trans!


Esse não é mais um texto qualquer produzido por algum desconhecido do assunto a fim de obter leitores interessados em um conto erótico com uma personagem transexual. Não sei se você percebeu, mas pelo título da pra notar que não vêm aventuras sexuais estimulantes nem seios fartos deliciosos nos trechos a seguir.
Desde criança estamos acostumadas a nos rejeitar, simplesmente pelo fato de não estarmos confortáveis com o corpo que estamos vendo no espelho. E agora? Como explicar para a sua mãe que mesmo você tendo nascido como menino você sabe que no fundo do seu coração pertence a outro sexo?Você decide ignorar esse extintos para viver uma vida que acreditar ser “normal” .Mesmo sabendo o quanto dói você decide que para não decepcionar seus pais, não ser expulso de casa (como muitas pessoas são) veste uma máscara social de vidro, frágil e tão delicada que a primeira rachadura ela se destrói.
Mas chega um momento que não dá mais pra fugir, vem todas aquelas cobranças que fazemos quando chegamos numa certa idade: Nossa faculdade,emprego,carreira e vida amorosa.Vendo todas as suas amizades conseguindo ingressar numa fase tão excitante da vida chega sua vez de encarar a realidade e tornar-se de vez aquela princesinha que existia apenas na sua cabeça e no coração e trazendo-a para o mundo real.Sabe que haverão muitas dificuldades ao longo da passarela,você vai cair muitas vezes mas a vida é assim mesmo, ninguém começa uma etapa tão decisiva da vida com nenhum obstáculo e mesmo a mídia mostrando a transgenia de Caithlyn Jenner como algo lindo e corajoso sabemos que não é a mesma coisa para nós,princesas sem fama.Não vão dizer que você é corajosa,linda e estimular sua inteligência para algo criativo e de valor, ninguém vai.Você infelizmente não verá tantas pessoas trans na sua futura universidade,nem naquela loja bacana que você costuma comprar roupas(que as próprias vendedoras te enchem de elogios ao te verem)mas a vida é assim,lutando todo dia para sua existência ser respeitada e seu espaço sendo garantido através de uma incansável luta contra uma sociedade que impõe que você não será nada mais do que um buraco quente e úmido para homens depositarem seu esperma e nada mais.Você nunca será a garota que o cara vai apresentar para a família e não importa quão “passável” você seja,ele não vai te namorar sério!Ta duvidando?Comece a olhar para seu histórico amoroso e tire suas próprias conclusões. Ok, eu tenho apenas 21 anos de idade e estou começando a transicionar aos poucos mas vendo toda essa “pintura trágica”que carinhosamente chamo de vida amorosa pude perceber como fui me tornando a pessoa que sou hoje,não digo que estou 100% empoderada até porque na nossa sociedade que é tão cercada de sexo por todos os lados uma hora você acaba cedendo a vontade,e acaba mais uma vez sozinha numa cama de um hotel com a esperança que foi admirada por pelo menos 3 horas,mas você sabe que não foi.Esse cara só vai te ligar no dia seguinte se ele não conseguiu “coisa melhor”(uma garota cisgênera).
Por que ele abandonaria a vida de macho pegador para viver ao lado de uma garota que todos julgam como “aberração”?Infelizmente em nossa sociedade ele também sofreria um pouco de preconceito, por parte de seus amigos,familiares e muitos outros. Não importa o quão bonita,linda,inteligente,elegante,estimulante e excitante você seja...você nunca será suficiente para ele.Afinal,quem vai querer se relacionar com alguém que aparentemente era um homem e foi se transformando em mulher?Quem?Diga-me por que eu adoraria conhecer esse caso.já são 21 anos de TV Globo e nenhum caso parecido até o momento,amores!
É desleal dizer que isso é apenas dor de cotovelo ou baixa autoestima, minha vida felizmente não depende apenas de casos amorosos, preciso arranjar outro emprego, arrumar uma grana monstro para colocar silicone (sonhos estéticos são válidos sim!),e claro nunca desistir de entrar em uma universidade(Enem tendo cada vez mais alunos trans inscritos me enchem de orgulho) mas é um desabafo de uma mulher que está com o coração muito ferido pelo amor(ou por algo que achei que seria)Eu acredito que serei feliz mas a vida ainda vai me dar muita porrada,muita!

Juliana Feitosa


*texto real e na integra, sem formatações ou correções em respeito a autora.



quarta-feira, 10 de junho de 2015

Logo eu, vil...

Só eu sei quantos textos não escrevi.
Quantas angústias resolvi...
Sem usar-te.
Mas não me abandone.
Quantas palavras engoli, que o refluxo artístico me trazem a tona.
E o azedume me queima a garganta e estraga meu paladar.
Quero que vá.
Quero que fique.
E quando me dá bom dia, batendo a porta de dentro pra fora. Te quero dormindo...
Quando me assombra de cigarro em cigarro...
De café em café...
Te quero quieta.
Mas você grita. Em mim...
Mas você mora. Em mim...
Nas luas cheias, nas minguantes, nas estações do ano.
Na agonia do outono a morte no inverno.
Na esperança renovada da primavera ao êxtase da vida no verão.
Você está lá...
Me analisando, calculando.
E me obrigando a contar pro mundo que não sirvo pra ele.
Não sirvo a ele.
Arte, por que me prendes?
Logo eu, vil como homem...
Não seria bom como artista!
Mas seria eu pior.
Se não olhasse a verdade.
Verdade essa que dói.
Que sem ter-te.
Me afogaria em mim.
Me asfixiaria envolto em ar.
És minha traqueostomia.
Meu acesso ao suspiro de vida.
Vida, vida, vida
Do que é feita?
Será que a poesia me responderá?
Ou será ela que criará em mim
O buraco sem fim
Que nunca, nada, será capaz de tapar...
Pare, pare, pare...
Não me ouça, não me leia.
Que se a poesia te pegar.
Nunca mais terá a alma cheia.
O tormento que me rodeia.
Tomará sua paz.

Ney Dias

terça-feira, 26 de maio de 2015

Solidão 3.4 Plus

A solidão se atualizou.
Melhorou com o tempo.

É mais poderosa e onipresente.

Minutos sem ter todos ao lado.
Dói.
Sofro.

Maldita máquina de amizades líquidas.

Todos na palma da mão.
Nas pontas dos dedos.
Mas longe do abraço.

A solidão está disfarçada.
Com tela e bateria.
acompanha...
Caminha ao lado.

Aguarda a falta de um pouco de energia.
Ou um ponto onde não é possível alcançar comunicação.
Pra atacar com o vazio

Maldita máquina de amizades líquidas.

Trouxe novas e relapsas ligações.
E levou o contato.
O afago.

Atualizada, atrelada a velocidade de viver, e a ânsia de possuir...

A ilusão do sempre belo...
Do sempre feliz. Do sorriso marcado, com a frase do "Pessoa".

Sofro eu.
Você.

Que experimentou o mais que isso, os amigos-amores.

Agora são links, contatos e endereços.

Mas o abraço.
Ah! O abraço.
Esse não há botão, tecla ou tela que reproduza.

Então aos que chegam agora...
Não experimentem o contato humano real.
Lhes fará falta quando acabar.
E já está escasso.

Ney Dias

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Laço

O amor me cansa
Me laça
Me lança

Da nuvem doce de algodão
De enamorar

E me põe o grilhão
Pesado e apertado do amar

O amar certo, correto e preparado
Organizado, orientado
Já vivido e já morrido por todos.

E se todos não for eu
E se eu não for todos

Mas lançado fui!
Nem ao menos dei impulso
Fui andando amando

Quando vi, estava organizando
E orientando.

Olhei pro lado, estava ali
Acorrentado a uma multidão.
Onde eram livres apenas passos curtos.
Não escolhia nem a direção.

Quando pensei em reclamar
Olharam-me com os olhos arregalados.
E disseram:
O que foi bom homem, tu que fechou o cadeado.
E deu sua chave.

Ney Dias

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Verdade, espelho, bengala

Fui até o corredor da ala Sul.
Não gosto. Mas fui.
Pequenos passos. Mas fui.
Os avisos de cuidados com a escada me irritam um pouco ainda. Mas já caí, verdade até caí...
E os avisos de avisei me irritam mais.
Acompanhado vou, com o par de asas sapeca, que apelidei de Verdade... Voa com a alegria de não poder disfrutar do sorriso por faltar-lhe boca. E minha linda bengala, talhada a mão pelos anos. Dizem as más línguas que com olhos ligeiramente estrábicos, lê-se, mentira, covarde e medo, mas são talhos sem sentido...
Que bobos são, eu mesmo os fiz, saberia eu.

Esse corredor féde a mofo. Pensamento alado que me veio. Carregado de sentimento. De não ir mais além. Minhas asinhas amigas quiseram me dizer algo... Não o fizeram por falta de língua. Apoiada minha bengala, afirmei o passo, não aumentando minha velocidade, mas afirmado estava meu caminho.

Já avistava o espelho ao fundo. O espelho...
Os papéis de parede vermelho com suas flores douradas... O cheiro de mofo... O espelho ao fundo..
Já falei do cheiro? Não gosto do cheiro!

Se não fosse o baú que precisava, esse que já via, ao fim do corredor encostado ao espelho, não iria até lá.

O sentimento piora... Dou alguns passos ainda mais curtos. Verdade vai do fim ao começo corredor, voa rápido, e forte de um lado a outro. As vezes alto, as vezes baixo, pra frente e pra trás. Parecia fazer festa por ansiedade, não costumava me acompanhar até ali. Mas fiz questão e ela veio.

Já via o reflexo de nós três no espelho. Grande espelho que tomava todo o fim do corredor.
Ainda faltava uns metros.
Pensei na bengala. Não conseguiria sem ela.
Mas cheguei, perto, fronte ao espelho, meio metro, tamanho do baú que me afastava.

No reflexo ao longe uma senhora  de costas, não a reconheço. Olho pra trás a procura dela no corredor a minhas costas...
Não acho!
Um pequeno sorriso unilateral me toma. Não questiono o reflexo, afinal, estava lá o espelho bem antes que eu. Penso em ir até ela, pular o baú. Imagino que mesmo sem virar, ela está a sorrir, como quem esperava minha chegada.
Minutos, minutos...
Verdade pousa, como quem pede descanso até que eu decida.
Acerto ela com força, quase quebro a bengala, ela cai...
No chão ainda tenta levantar voo de novo...
Acerto de novo. Penso. Bengala forte!
Arrasta-se... Sendo apenas um par de asas... Mas arrasta-se...
Queria me perguntar por que! Mas não fez por falta de boca.
Com uma mão seguro firme, evitando um novo voo.
Com a outra abro o baú. Lá dentro será agora sua morada.

Ela não virou, mas sinto que a senhora do espelho chora, dou-lhe agora minhas costas. Volto de onde vim...

Corredor mau cheiroso.

Não conseguiria sem minha bengala.