segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Quero minha Páscoa

Acordei morrendo.
Não sonhei.
Acordei de um breve sono inquieto.
Acordei morrendo.

Estou em desespero...

Logo eu que amo a vida
me dei conta da morte
vivente, presente, latente.

Todos meus órgãos funcionando
mas a respiração ofegante
ansiedade gritante.
Não há um engano.
Não é a morte chegando.

Ela já estava ali, parada.
Assentada. Arraigada.
Já fazia morada
em mim
no outro em todos.

Olho ao redor e só vejo morte.
Não vejo vida.
Não vejo briga
Não vejo brilho.

E mesmo onde acreditam ter.
Não há.
Acordei no susto da morte.
No susto,
Na sorte.

Minha vontade é gritar.
Sacudir, balançar os mortos...
Os mortos pelo sistema.
Que ainda servem seu algoz
e nem imaginam que não há
nenhum sopro de vida em seus corpos.

Bela morte de merda.
Nenhum herói.
Nenhum mártir.
Só engrenagens.
O ferrugem as come
em vida, os dentes, mais frágeis
são devorados primeiro.
Perdem agilidade
autoridade
utilidade

Descarte!

só o miolo inútil
sobra pro fim, final.

Teve vida?
Não... Morreu no nascimento.
quando se encaixou sendo girada e fazendo girar.

Todos em pró do sino.
Horas a fio, giro a giro
o que lhes sobra é
ouvir o badalar de longe...
sem parar de girar

Já estou um passo a frente
já sei de minha morte
descobri a tempo, vivo!

Vou dar meu jeito.
Se tiver sorte...
Ressuscito no terceiro dia.
Digo que um dia volto...
e tchau.

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