quinta-feira, 27 de março de 2014

Trufa com orquídea

Entre trufas, beijos, carinho e mensagens. O elo foi criado.
Entre lágrimas, sonhos e caras amarradas. O elo foi criado.
Entre crises, amor e ódio. O elo foi criado.

Linda a união, o nascer de alguém, e o morrer de outro.
Nada será o mesmo, nada voltará.
Me engulo por não gritar ao mundo.
Te amo.

As mãos foram dadas, as peles tocadas, a luta vencida.
Plantada a semente, regada será, o zelo do bom dia, o carinho do amanhecer.
E não se encaixam, mas se encaixam, pobre do pobre que não vê.
O toque suave, a busca do prazer, a intenção do amar...
Sinto o cheiro.

Os olhos cabisbaixos, a bochecha corada, a pouca e pequena lagrima formada na base dos quatro.
Que sorrisos lindos, infantis e lindos... Querendo sem querer o que não se deve.
Mas se quer... Deve poder... E se pode, por que não ter?
Os ângulos em tríplice forma a figura perfeita do amor.
E por que amar em linha?
Reta...
Reta...
O elo foi criado.

Ney Dias

terça-feira, 25 de março de 2014

Feliz!?!?!?!?!?

Cadê.
O que fizeram com meu vazio, que carregava a tantos anos.
Meu deus!!!
Taparam-me o buraco de desgosto.
Arrancaram me a mascara de mentira. Me trouxeram de volta a mim.
Onde está o rancor instalado, as dúvidas da vida.
Preciso me familiarizar com esse sabor doce.
Com a vida rica, e com o fato de ser feliz.
O que?
Feliz, sim feliz. Incrível esse sentimento novo. Alimentado por mãos amadas e amantes.
Onde foi o descaso, a desesperança, o anseio da morte a insatisfação como redoma.
Roubaram-me o direito de reclamar, de maldizer. Tomaram-me o balde de cinza e me encheram de cor.

Doce, doce, doce. Vida bela e vida doce.
Como os sabores se multiplicam em dois em três. E as bocas se fartam com o sabor melado do amar.
Ah! O que tenho a  dizer sobre isso, não sei.
Os olhos escurecidos ainda, não se familiarizaram com a luz. O som encantador ainda não é reconhecido pelo ouvido moco causado pelo costume do silencio do enclausuramento.

Agora o mundo se abre. As nuvens se vão, e atacado por um sorriso insistente que força o lábio para as extremidades...
Bobo... O pierrot, já não se acha digno da lágrima.
Que o picadeiro seja colorido e tenha lugares, espaços, assentos para todos.
Sejam bem vindos, bem vindas ao show. Onde o público não aplaude mas o artista está Feliz.

Ney Dias

Alice Sant'Ana

Peço perdão aos morenos altos, bonitos e sensuais... Mas prefiro o meu baixinho branquelo! Pena que ele não gosta de Chico e nem de mim. Ainda assim eu insisti, fui a luta porque sou brasileira, mulher e não desisto. Quase movi montanhas, literalmente. Uma roupa desbotada, uma planta seca. Confesso, parece que a gente não tem mais graça. Eu como sempre, fui até onde pude, segurei sozinha dois corações desarmados e desprotegido, no relento de uma vida perigosa. Os dois, escolhemos -apesar do bom senso- abortar um sentimento incapaz de falar por si. Ficamos grávidos, mas não podíamos esperar. Porque esperar cansa e no cansaço e maresia de uma cidade fria, eu me diluía feito açúcar... E fim.

Alice Sant'Ana

domingo, 16 de março de 2014

Alice Sant'Ana

Eu tô impaciente, fiz escolhas inconsequentes, agi com pensamentos de segundos. Eu, que penso tanto pra falar. Eu, a ovelha negra. A mulher da lua, corpo, sol e poesia nua. Refazendo passos incertos longe dos teus olhos negros e sobrancelhas cruas. Usando do teu fardo cansado pra me derreter em prazeres raros e rápidos, fugaz como o perfume da noite que se perde em nossos corpos encharcados pelo suor e brisa da relva. As estrelas abençoando e concebendo uma vida além da nossa. Vida mais incerta que meus passos e seu som. Som esse que me toma o peito e teme em me transformar em uma amante de palavras cantadas, palavras que você sussurra em meu ouvido enquanto prova do meu mais proibido pólen. Me roubando o direito de saber andar sozinha. O direito de seguir sem mais ouvir a tua voz, dizendo pra onde devo ir. E eu me viciei no doce que o prazer me deu ao sentir seu mel, seu toque e delicadeza. Meu pescoço sem restrições, marcado por tua boca desenhada, ainda te espera e a minha boca sem vergonha que já tem total intimidade com a sua, grita pra dentro que de ti precisa e para completar, que de ti não é completa. É só mais uma boca, sem vergonha.

Alice Sant'Ana

terça-feira, 11 de março de 2014

Pra você.

Com as asas que recebi, resolvo pousar.
Seu ninho me traz a calma que necessito.
Com a libertação que recebi, me escravizo a você.
E nem ouse não ser minha dona.

Lutei, perdi, ganhei e era meu porto seguro.
Luto, perco, ganho e é meu porto seguro.

Mas essas asas, não me servem só pra voar.
Servem pra te aquecer, pra te trazer a segurança que lhe falta.
Encosta aqui seu cansar, traz seu frio, as penas quentes que me fez.
Cubro-lhe, aqueço-lhe. Essas asas não são minhas nunca foram...

Lutei, perdi, ganhei e era meu porto seguro.
Luto, perco, ganho e é meu porto seguro.

Absorve de mim, o êxtase do amor.
Divide comigo o âmbito de meu amar.
Reverencio-te és majestosa na arte do amor como nunca imaginei que fosse.
Teus passos me ensinam, me calam.
Sua mudança me muda, me traz de volta o verde claro e belo.
E como é verde! Ela reluz. E ela é tua, é nossa.

Hoje gritei ao céu, sem testemunhas meu amor.
Nas ruas escuras sem testemunhas ou expectadores, gritei seu nome.
Gritei, abri minha garganta, com a força descomunal do sentir.
Algo grande, enorme que cresce sem cessar, sem dar trégua.
Como um bobo, te chamei com a certeza do seu ouvido longe.
Mas eu, eu ouvi, com o familiar tom rouco de minha voz seu nome.
Dentro do carro barulhento, em meios as casas caladas, as ruas sem som.
Teu nome reinava, lindo e majestoso, era o seu, só ele.

As palavras pulam dos dedos, quero te dizer, em meio seu sono.
Estou aqui a dizer-te, quero que saiba, de alguma maneira.

Seu corpo longe, mas nunca tão meu. Meu corpo longe mas nunca tão seu.
Cravou um sorriso em meu rosto, marcou minha face com seu amor.
Colossal amor, abissal amor, descomunal amor, desmedido amor, nunca visto ou vivido.
Farei jus a ele.
Farei jus a ele.

Ney Dias

domingo, 9 de março de 2014

Só ele sorriu.

Ele sorriu!
Ele sorriu!
Ele sorriu!
Ele sorriu!
Ele sorriu!

Gritos afirmaram...

O morto sorriu!
O morto sorriu! O morto sorriu!

Poucos viram, mas os poucos que viram afirmam de uma maneira absurda.
O cheiro de flores, velas e lágrimas nada daquilo combinava com ele.
Mas era de costume, a família todos fizeram o clichê.

Era estranho vê-lo naquela caixa de madeira, o ar de tristeza pairava.
Muitos estavam ali.
Eram tantos...
É claro que não deixariam de ir, era a despedida.
Onde tudo de ruim se vai, e o bom se valoriza.
E todas e todos estavam ali. Era uma confraternização, onde a dor é força que une.

E ele sorriu!!!

Ney Dias

João Bobo

Cabeça.
Olhava pra baixo, sua cabeça solta, olhava seu corpo pela primeira vez desmantelado.
Tudo que era seu estava destruído.
A cabeça pensava.
Ele podia estar vivo, podia fazer parte de algo... Não mais!

Pernas.
Pernas já não eram um par e sim cada uma delas solitárias se tivessem olhos se olhariam, se boca tivesse lá, perguntariam por que?
Elas que sempre juntas foram importantes uma a outra. Se completavam, estaria ali a outra quando uma faltava em tocar ao chão.

Braços
A pressão foi grande demais, era duas forças inversas, crianças puxavam para o próprio lado forçando...
Pedaços de pano espalhados, não poderia se juntar mais. Não pude aguentar.

Aqueles meninos, eles me queriam, então puxaram, com toda a força que tinham em seus braços, em seu querer. Era deles, e ambos sabiam disso, e ambos o queriam, era uma brincadeira gostosa.
Agora seus olhinhos infantis olhavam para os destroços.
O que sobrou é inútil...
Já não era mais um brinquedo legal. Estava quebrado.

Bobo o brinquedo em achar que não quebraria. Que as crianças poderiam repartir, e brincar.
Naquela cabeça sem corpo passava uma dúvida.
Morrerei? É possível um brinquedo morrer?
Espero que seja, não posso lidar com isso, mas era pedaços por toda parte e quando a cabeça sendo carregada pro lixo conseguiu ver as crianças com brinquedos novos.

Ney Dias

sábado, 8 de março de 2014

Matemática

Inexata, errante, e dissimulada.
Meus números não batem, minhas somas são outras.
Meu resultado é sempre maior que dois na operação do amor.

Me divido em partes iguais ou não.
Multiplico o pensar em números irracionais e pensamentos ainda mais.
Não há equação que descubra minha incógnita de ser e sentir.

Operações falhas, e errantes que trazem intensidade em não saber o que o problema pede.
És parte da coisa mais fantástica. Parte apenas de mim, que não impede de ter parte em outras operações menos ou mais importantes.

Exercício, exercite, a arte de multiplicar o que se pode dar a um, infinitamente dividir.
Divida-me e somará.

Ney Dias

sexta-feira, 7 de março de 2014

Ele ama

Era cabisbaixo, olhado de longe parecia menor que sua estatura real.
Seu caminhar, lento, munido de passos curtos, e pés arrastados.

Desleixado, barba por fazer, não de uma maneira interessante, mas que lhe deixava o rosto sujo e envelhecido.
Suas vestimentas não ornavam, não era importante isso a ele. Mas um dia foi...

Seu trabalho maçante e desinteressante o acorrentava algumas horas do dia, essas que lhe faziam por algum tempo não maldizer a vida.
Seu sorriso pardo, aparecia de tempos em tempos, afim de calar algumas perguntas.

"Estou bem" era o bordão de seu comprimento, e um, "e você?" desviava qualquer tipo de investigação ou dialogo sobre ele.
Parecia ter se acostumado com a ausência de pessoas ao seu redor, comia só. Bebia só.

Era raro mas diziam que as vezes uma ou duas lágrimas desciam até metade do rosto, mas eram recolhidas rapidamente pela mão, e os olhos, ressabiados, fitavam aos lados afim de localizar possíveis testemunhas.

E os comentários existiam.
A pergunta mais comum era. " Por que ele é assim?"
E a resposta era...
Ele ama!

De repente trinta...

Aprendi que o amor sempre vai prevalecer.
Que amizades são duradouras e importantes mesmo a distância.
Que o bem sempre será pago com o bem, e que a deus é justo.

Ouvi que tudo o que sonhamos, e quisermos de verdade é possível.
E que acreditar é o básico pra alcançar o objetivo.
Que sorte é a união de oportunidade com preparação.

Que verdade é sempre a melhor opção e...
Que o amor é o sentimento mais forte que existe.
Que o amor é o sentimento mais forte que existe.

Obrigado vida por aos meus trinta anos me mostrar que nada disso existe.
Seria uma tragédia se fosse mais tarde.

Ney Dias

quinta-feira, 6 de março de 2014

Retrovisor

Ao lado de minha cabeça, um pequeno espelho me mostra o que deixei.
Insisto em olha-lo sempre e lá encontro tudo.
Deixado em algum lugar, em algum momento da minha vida, pequenos pedaços de sonhos estilhaçados ao longo do convívio vil.

Lembro-me de pequenos desejos, alguns findados por outros.
Lembro-me de amores, findados por outros.

Amigos que se foram, e acreditam ainda estar.
Amigos que estão, mas acreditam ter ido.

Belo o reflexo que enxergo, um sonhador, alguém próximo de mais da felicidade.
E era bom sonhar...
Eram múltiplos sonhos e desejos que faziam-me respirar fundo, com um sorriso no rosto.

Eram lindos os sermões que defendiam ideias estapafúrdias, sempre frente a uma "sociedade", uma pequena classe social de desocupados, característico de um garoto de uma cidade pequena e "pequena".
De quem não era de muitos amigos, mas amigos de muito valor.
Oh o valor, era muito dado. Pedaços de tudo, compartilhado e mostrado como se fosse de posse comum.
E agora tudo faz parte de uma imagem congelada na magia do reflexo.
Levo minha mão frente ao espelho, e sinto seu toque frio do vidro.
Onde só se tem o que ver, e nada pra tocar.
É despertada a vontade de entrar no mundo mágico do espelho, onde tudo é lindo.
A morte emocional está ali. Não há mais o que se preocupar no espelho.
Opiniões contrárias não existem no mundo refletido.

terça-feira, 4 de março de 2014

Politudo

Espero que não apenas  me deseje, mas deseje pra si, meus desejos.
Não quero que me procure, mas procure comigo, o que procuro pra nós.
Abra mão de si, abra mão de mim, junte se a nós como parte e não todo.
Espero que não me queira apenas.
Quero que queira meu querer, e sinta o desejo sórdido comigo.
Alimente minhas ideias fúteis, com seus pensamentos falsos.
Ame meus amores.
Ame meus amores.
Olhando em meus olhos, veja a loucura que despejo ao redor de nós.
Ame essa loucura, sinta os gostos que gosto, as texturas que me excitam,elas farão parte também do seu cardápio agora.
Lace minhas presas.


Serás minha e eu não serei seu, serei seu e não será minha, mas nossos desejos serão nossos.
Amarei-te acima de tudo, darei-lhe meu amor, e com ele o direito de amar, não só a mim, e trará o que eu ame afim de me pedir o impedível.

Fura-me o peito com o punhal do ciúmes, crava-me a estaca da insegurança e ainda assim...
Vou querer o que quer, desejar o que deseja amar os seus amores.
Alimentarei as ideias estapafúrdias suas pra ver o brilho em teus olhos.
Sonho em olhar-te não minha, em ver-te louca errando. Pisando em cacos de vidro pra, trazer-me seus pés a mim, implorando curativos que lhe serão feitos.
Amarei seus amores.
Amarei seus amores.
És minha sou seu, somos nossos e de outros. Mesmo que seja agora, amanhã ou eternamente.
Mesmo que seja ontem.
Linda, seu caminhar é belo, forte e gracioso.
Lace minhas presas.

Ney Dias