quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Uma da manhã

Uma da manhã, o sono não vem.
Já fumei todos os cigarros da casa.

Dark side of the moon já tocou duas vezes.

Normalmente me faz dormir.
Hoje não...

Desisto de lutar e levanto-me,
Alguns andares abaixo
uma breve caminhada de cinco minutos e compro meu cigarro.

A vontade de viver até passa nesses momentos
Mas a vontade de fumar não!

O frio, a noite, os transeuntes me geram sentimentos diversos.

Não sei bem quais.

Uma pitada de nostalgia acredito...

A fumaça me gera um pouco do prazer imediato que tanto busco.
Fumaça essa que me matará
Mas o que não o fará?

Desculpa do vício e vida que segue.

Mais cinco minutos de passos lentos no retorno.
Andares acima...

Encontro a porta do apartamento entreaberta.

Pulsação sobe rápido
Mas não é medo

Imaginei você lá, dentro do quarto.
Olhos marejados foram os meus naquele momento.

Pink Floyd ainda toca.
Tornando o ambiente carregado como só ele pode fazer.

O corredor até a porta ganha quilômetros de comprimento na imaginação doentia do pisciano.

Encontro tudo exatamente como deixei.

Vazio, paredes com seu branco mórbido.
Sim, branco mórbido, sem vida.

A bagunça de quem desiste aos poucos.

Encontro tudo como deixei
Exatamente

Mas agora tenho cigarros.