A solidão se atualizou.
Melhorou com o tempo.
É mais poderosa e onipresente.
Minutos sem ter todos ao lado.
Dói.
Sofro.
Maldita máquina de amizades líquidas.
Todos na palma da mão.
Nas pontas dos dedos.
Mas longe do abraço.
A solidão está disfarçada.
Com tela e bateria.
acompanha...
Caminha ao lado.
Aguarda a falta de um pouco de energia.
Ou um ponto onde não é possível alcançar comunicação.
Pra atacar com o vazio
Maldita máquina de amizades líquidas.
Trouxe novas e relapsas ligações.
E levou o contato.
O afago.
Atualizada, atrelada a velocidade de viver, e a ânsia de possuir...
A ilusão do sempre belo...
Do sempre feliz. Do sorriso marcado, com a frase do "Pessoa".
Sofro eu.
Você.
Que experimentou o mais que isso, os amigos-amores.
Agora são links, contatos e endereços.
Mas o abraço.
Ah! O abraço.
Esse não há botão, tecla ou tela que reproduza.
Então aos que chegam agora...
Não experimentem o contato humano real.
Lhes fará falta quando acabar.
E já está escasso.
Ney Dias