terça-feira, 26 de maio de 2015

Solidão 3.4 Plus

A solidão se atualizou.
Melhorou com o tempo.

É mais poderosa e onipresente.

Minutos sem ter todos ao lado.
Dói.
Sofro.

Maldita máquina de amizades líquidas.

Todos na palma da mão.
Nas pontas dos dedos.
Mas longe do abraço.

A solidão está disfarçada.
Com tela e bateria.
acompanha...
Caminha ao lado.

Aguarda a falta de um pouco de energia.
Ou um ponto onde não é possível alcançar comunicação.
Pra atacar com o vazio

Maldita máquina de amizades líquidas.

Trouxe novas e relapsas ligações.
E levou o contato.
O afago.

Atualizada, atrelada a velocidade de viver, e a ânsia de possuir...

A ilusão do sempre belo...
Do sempre feliz. Do sorriso marcado, com a frase do "Pessoa".

Sofro eu.
Você.

Que experimentou o mais que isso, os amigos-amores.

Agora são links, contatos e endereços.

Mas o abraço.
Ah! O abraço.
Esse não há botão, tecla ou tela que reproduza.

Então aos que chegam agora...
Não experimentem o contato humano real.
Lhes fará falta quando acabar.
E já está escasso.

Ney Dias

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Laço

O amor me cansa
Me laça
Me lança

Da nuvem doce de algodão
De enamorar

E me põe o grilhão
Pesado e apertado do amar

O amar certo, correto e preparado
Organizado, orientado
Já vivido e já morrido por todos.

E se todos não for eu
E se eu não for todos

Mas lançado fui!
Nem ao menos dei impulso
Fui andando amando

Quando vi, estava organizando
E orientando.

Olhei pro lado, estava ali
Acorrentado a uma multidão.
Onde eram livres apenas passos curtos.
Não escolhia nem a direção.

Quando pensei em reclamar
Olharam-me com os olhos arregalados.
E disseram:
O que foi bom homem, tu que fechou o cadeado.
E deu sua chave.

Ney Dias