Acordei hoje, e o ontem acordou comigo.
O sol nascido era o mesmo de tempos atrás.
O vento soprou frio. Mesmo em altas temperaturas marcadas nos ponteiros das pessoas que diferente de mim acordaram hoje.
Ontem, voltou!
As coisas se repetiam, e senti medo.
Pensei estar preso, e se o ontem nunca acabar?
E o amanhã será só para os demais...
Inferno, perdi o direito do amanhã.
Acordei no ontem, viverei no ontem, morrerei no ontem!
Me pergunto: Minhas partes ão de apodrecer?
Desmancharei como os demais?
As bactérias ploriferarão e se alimentarão de mim?
Ou elas no amanhã já vivem...
E buscarão corpos perfeitos mortos no dia.
Ah o hoje, como deixei perder-se?
E se o rio se transformou e eu, o mesmo tentei banhar-me?
E se o calendário pulou, e eu teimoso insisto em não arrancar a folha?
Maldito ontem me assombra.
Maldito ontem.
E agora vejo!
A quantos estou a repetir?
Milhões de dias iguais, se refazem no amanhã. Esse que não chega a mim.
Será que essa é a chamada maldição da imortalidade, onde só o fim é a libertação?
E repensado vejo que as questões são as mesmas. Tudo é igual.
Colocarei-me em recolho mais cedo hoje. Pois não precisarei aguardar a chegada da lua, amanhã ela virá, como veio ontem, hoje.
Idêntica.
Ney Dias