Talvez meu maior erro foi não ter lido as entrelinhas da vida, ou ter lido apenas as palavras escritas com todas as letras possíveis.
Não que mentiram-me, não isso, mas o que me foi omitido pelas palavras, criei a minha maneira.
A verdade sempre esteve ali, firme e forte como tem que ser.
Sim, ela sempre esteve ali, e acreditei no que quis acreditar.
Na possibilidade do impossível.
E isso chamo no mínimo de loucura!
Insanidade talvez, para encontrar uma palavra mais aceitável socialmente.
Nasci com uma inteligência que me satisfaz, e tenho consciência disso.
Mas fiz questão de não usa-la a meu bel prazer.
Escolhi prazeres imediatos.
Sonhos inalcançáveis e mentiras sinceras, e descobri com o tempo que elas não me interessam.
Cada gota de esperança foi usada pra afirmar e reafirmar a falsa oportunidade que me foi dada.
Afinal.
Quem poderia manter essa loucura que não fosse eu mesmo?
E agora?
Não existe a possibilidade nem de contar o filme que fiz papel de figurante achando protagonizar.
Vida incrível!
O que posso sentir hoje que não seja gratidão a cada gota dos sentimentos ruins que sinto agora?
Saboreio a derrota com lentidão
Massacro-me com indícios de crueldade.
A fim de gerar todos os anticorpos possíveis a doença que agora sofro.
E se com isso não acabe com o analfabetismo de ler entrelinhas.
Desisto da leitura. Porque o texto que se apresenta na íntegra nunca é o real.