Palavras não me iludem mais.
Apesar de poeta.
As abandonei como diretrizes.
Prefiro o que o corpo me diz.
Confio no arrepio da pele
Mais do que nas palavras de desejos
Não me engano mais.
Não me encanta eu "eu te amos"
Se os corpos se afastam
e o cuidado se perde.
Não creio mais.
Promessas de futuros
Se o rosto se franze aos passados e presentes.
Ah! A poesia me tomou de tantas formas
Que as as palavras se perderam
Com tempo
E o brilho no olhar
Tomou seu lugar
Tente calar os olhos
Tente mentir o brilho
O corpo não fala
Grita, hurra!
Rosna!
O corpo não engana!
O corpo é o templo da verdade
Escancara na cara de quem o lê
A verdade doa a quem doer
Pode até tentar impedir que transpareça a atração de corpos
Mas pra um leitor dessa poesia muda...
Até o cheiro, os poros em braile, nada escapa
O que é meu, fala minha lingua até no caldo
Jorra de onde era seco, abro onde era fechado
Meninos
Vai voltar, e vai voltar de quatro
e talvez eu nem deixe levantar antes de montar
tomando o que é meu
Tempo e distancia não mudam nada
e essa frase ficará cravado no seu tesão
pro resto dos dias
como um carimbo do seu Senhor