quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Perdido sim

Me perdi entre os meus.
A solidão me assombra mesmo sem porquês!
Não me sinto igual, e tão pouco, com uma diferença interessante.

O que me difere me custa a alegria de me igualar ao grupo,
e me identificar no outro.
Me sinto só.

O clichê da solidão entre tantos também me assombra.
Não existem justificáveis que me livre da culpa.

Culpa essa que carrego por estar sem minha companhia.
Me perdi de mim.
E talvez não me encontre mais.

Quando resolvi soltar o controle achei que assistir o passar da paisagem me alimentaria a alma.
Mas dói olhar o que não se quer ver.
Dói não se ver nas imagens impostas.

Me sinto colonizado.
Alterado.
Modificado.
Reprovado e reprogramado.
Afim de ser aceito.

Adeus ao homem que viveu em mim.
E por favor novo inquilino.
Pague apenas o aluguel.
E não me dê bom dia.

Ney Dias... talvez.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Vício

Não sei o que dizer.
Realmente não tenho nada pra passar.
As palavras aqui escritas...
São tão mortas quanto as ditas.

Simplesmente me dispus a matar o tempo.
A ânsia de dizer que agora não sei nem quem sou.
Ou o que defendo.

A cada carta colocada.
Um sopro derruba meu pequeno castelo.
Tão moço. Morre jovem sempre que se ergue.

Mas como culpar o vento por ventar.
O sopro por soprar.
Abri a janela com minhas mãos.

As mesmas mãos que seguraram com destreza cada carta.
Com o cuidado e o carinho afetuoso.
De quem cria e quer ver vingar.

Crescer forte, bonito e vistoso.
Mas ainda menino. Fraco e melindroso.
Não suporta nem mesmo a brisa que entra constante.

Pergunta-me por que não fecho a janela.
Pergunto-lhe como.
Se é dela o ar que entra e só com ele passeando entre os espaços
do castelinho moço vejo sentido no colocar atencioso de cada partinha.

Não, não há sentido eu sei.
Isso já avisei no instante que sentei.
Pra escrever sem me explicar.

Se é pro vento que faço o castelo.
E se o castelo não suporta o ventar.
Devo estar louco, oferecendo morada a quem não quer morar.

Ney Dias.