Aos poucos.
Palavras não saem como deveria.
Estou aqui montando frases a esmo.
Seu abraço...
Meu abraço...
Nosso abraço...
Ele foi o primeiro que sumiu!
Um ano...
Dois...
Não sei mais.
Pra mim...
Dez, vinte!
Foi aos poucos.
Um tchau de cada vez.
Não sei se foi melhor ou pior.
Se há...
Pior ou melhor.
Só sei que a dor existiu e existe.
Hora amena.
Hora asfixia, sufoca, arranca lágrimas.
Volto minha mente ao abraço.
Isso porque não a deixo me levar ao resto.
E que resto.
Tudo o que restou em mim foram as risadas.
As piadas.
Os carinhos.
O tempo me faz enxergar o que nunca quis ver.
O amor se esvair.
Perdi.
E ei de entender isso!
O tempo é implacável e mostra claramente que não és mas parte do meu futuro.
Mas guardei esse passado.
Guardarei esse passado.
Sempre.
Digo-lhe o que não acreditará...
Se quiseres voltar, não a perderei de novo.
Se não...
Lhe amarei a distância, e não acabará.
Não vou deixar de te amar.
Só estou aprendendo uma outra forma de o fazê-lo.
Ney Dias