terça-feira, 28 de junho de 2016

Lembrança

Aos poucos.

Palavras não saem como deveria.
Estou aqui montando frases a esmo.

Seu abraço...
Meu abraço...
Nosso abraço...

Ele foi o primeiro que sumiu!
Um ano...
Dois...
Não sei mais.
Pra mim...
Dez, vinte!

Foi aos poucos.
Um tchau de cada vez.

Não sei se foi melhor ou pior.
Se há...
Pior ou melhor.

Só sei que a dor existiu e existe.
Hora amena.
Hora asfixia, sufoca, arranca lágrimas.

Volto minha mente ao abraço.
Isso porque não a deixo me levar ao resto.

E que resto.
Tudo o que restou em mim foram as risadas.
As piadas.
Os carinhos.

O tempo me faz enxergar o que nunca quis ver.
O amor se esvair.

Perdi.

E ei de entender isso!
O tempo é implacável e mostra claramente que não és mas parte do meu futuro.

Mas guardei esse passado.
Guardarei esse passado.
Sempre.

Digo-lhe o que não acreditará...

Se quiseres voltar, não a perderei de novo.

Se não...
Lhe amarei a distância, e não acabará.

Não vou deixar de te amar.
Só estou aprendendo uma outra forma de o fazê-lo.

Ney Dias

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Persona

O medo me paralisa

Minhas palavras vãs
Corpo padece

Calei-me

Um chumaço de estranheza mora em mim

Calei-me

Recolher-me em mim talvez seja só o que resta

Acordar virou rotina
Dormir... Faz parte da vida...
Existir! É isso!

Calei-me

O medo me paralisa

Pancadas contínuas
Surras adjacentes

A diminuição do ser!

Dizer sem dizer é a entrelinha do calar!

refutativo poder de anulação

Persona necessária para sobrevivência

Perdi as palavras e contentei-me com o sorriso
Esse tal de sorriso amarelo que resolvi carregar

Ficou tão simples sorrir agora
Ficou leve
Não preciso de motivos para...

Não há grandes motivos para...

Não há motivas para...

Mundo não lhe apresento mais palavras
Apenas os dentes.