segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Mata fechada fecha mente

Descrença cresce
Como mato
Mata
Fechada, fecha a mente.
Mente pra gente
Inteligente
Fato
Mato
O monstro
Da mentira
Mas quem tira
O medo da verdade
Dessa humanidade
Imatura
Que tem
Medo da
Loucura
Sem perceber
Que todos loucos
Somos
Bobos
Em não crer
Que crendo acabamos
Não percebendo
Que mesmo vendo
O real
Se torna normal
Imaginar
Que o ideal é o que
Queremos e
Não
O que temos
Ou o que somos
Burrice
Tolice
Crendice
Ele disse
O orgulho
te enche o
Coração
De entulho
O peito de esperança
A mente de lembrança
E o todo inebriado
Vê tudo ao redor
Desgraçado
E vai buscar no futuro
Lá do outro lado do muro
Impulável
Inalcançável
Uma vida melhor
Sem lembrar que o pior
Vai carregar na bolsa
Que é sua maneira tosca
De lidar com a própria vida!

Ney Dias

Desassossego

De repente
um desassossego.
Não que esteja triste.
Bravo ou
preocupado.
É só que...
Do nada dá-me um desassossego.

Um friozinho na barriga
uma calação...
Nem sei bem no que tô pensando.
Se tô mal?
Sei não!

Só olho pras paredes e a bobiça passou
Sabe aquele risinho?
Que sem motivo tá ali?
Foi-se com a chegada do desassossego
e nem me percebi.

Aí encosto
Desencosto
Como sem fome
Bebo sem sede
Durmo sem sono
E se sono tem...
Não consigo dormir.

As engraçadas perdem a graça
As coisas chatas...
Nossa!
Da até raiva de fazer.

Se a geladeira tá cheia
Como uma tonelada
Doce então...
Nem me fala.

E não suporto uma zuada
Barulho de criança parece me matar.
Até um carinho gostoso pode incomodar.

Esse desassossego não é bom não!
E se eu não mudar dura um tempão...
Fico chato, ranzinza e rabugento.
Arrumo briga, faço merda que difícil ter perdão...
Só quem se dedica e tem talento pra aguentar o tormento de lidar com a adicção.

Ney Dias

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Quero minha Páscoa

Acordei morrendo.
Não sonhei.
Acordei de um breve sono inquieto.
Acordei morrendo.

Estou em desespero...

Logo eu que amo a vida
me dei conta da morte
vivente, presente, latente.

Todos meus órgãos funcionando
mas a respiração ofegante
ansiedade gritante.
Não há um engano.
Não é a morte chegando.

Ela já estava ali, parada.
Assentada. Arraigada.
Já fazia morada
em mim
no outro em todos.

Olho ao redor e só vejo morte.
Não vejo vida.
Não vejo briga
Não vejo brilho.

E mesmo onde acreditam ter.
Não há.
Acordei no susto da morte.
No susto,
Na sorte.

Minha vontade é gritar.
Sacudir, balançar os mortos...
Os mortos pelo sistema.
Que ainda servem seu algoz
e nem imaginam que não há
nenhum sopro de vida em seus corpos.

Bela morte de merda.
Nenhum herói.
Nenhum mártir.
Só engrenagens.
O ferrugem as come
em vida, os dentes, mais frágeis
são devorados primeiro.
Perdem agilidade
autoridade
utilidade

Descarte!

só o miolo inútil
sobra pro fim, final.

Teve vida?
Não... Morreu no nascimento.
quando se encaixou sendo girada e fazendo girar.

Todos em pró do sino.
Horas a fio, giro a giro
o que lhes sobra é
ouvir o badalar de longe...
sem parar de girar

Já estou um passo a frente
já sei de minha morte
descobri a tempo, vivo!

Vou dar meu jeito.
Se tiver sorte...
Ressuscito no terceiro dia.
Digo que um dia volto...
e tchau.