quinta-feira, 6 de março de 2014

Retrovisor

Ao lado de minha cabeça, um pequeno espelho me mostra o que deixei.
Insisto em olha-lo sempre e lá encontro tudo.
Deixado em algum lugar, em algum momento da minha vida, pequenos pedaços de sonhos estilhaçados ao longo do convívio vil.

Lembro-me de pequenos desejos, alguns findados por outros.
Lembro-me de amores, findados por outros.

Amigos que se foram, e acreditam ainda estar.
Amigos que estão, mas acreditam ter ido.

Belo o reflexo que enxergo, um sonhador, alguém próximo de mais da felicidade.
E era bom sonhar...
Eram múltiplos sonhos e desejos que faziam-me respirar fundo, com um sorriso no rosto.

Eram lindos os sermões que defendiam ideias estapafúrdias, sempre frente a uma "sociedade", uma pequena classe social de desocupados, característico de um garoto de uma cidade pequena e "pequena".
De quem não era de muitos amigos, mas amigos de muito valor.
Oh o valor, era muito dado. Pedaços de tudo, compartilhado e mostrado como se fosse de posse comum.
E agora tudo faz parte de uma imagem congelada na magia do reflexo.
Levo minha mão frente ao espelho, e sinto seu toque frio do vidro.
Onde só se tem o que ver, e nada pra tocar.
É despertada a vontade de entrar no mundo mágico do espelho, onde tudo é lindo.
A morte emocional está ali. Não há mais o que se preocupar no espelho.
Opiniões contrárias não existem no mundo refletido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário