Cabeça.
Olhava pra baixo, sua cabeça solta, olhava seu corpo pela primeira vez desmantelado.
Tudo que era seu estava destruído.
A cabeça pensava.
Ele podia estar vivo, podia fazer parte de algo... Não mais!
Pernas.
Pernas já não eram um par e sim cada uma delas solitárias se tivessem olhos se olhariam, se boca tivesse lá, perguntariam por que?
Elas que sempre juntas foram importantes uma a outra. Se completavam, estaria ali a outra quando uma faltava em tocar ao chão.
Braços
A pressão foi grande demais, era duas forças inversas, crianças puxavam para o próprio lado forçando...
Pedaços de pano espalhados, não poderia se juntar mais. Não pude aguentar.
Aqueles meninos, eles me queriam, então puxaram, com toda a força que tinham em seus braços, em seu querer. Era deles, e ambos sabiam disso, e ambos o queriam, era uma brincadeira gostosa.
Agora seus olhinhos infantis olhavam para os destroços.
O que sobrou é inútil...
Já não era mais um brinquedo legal. Estava quebrado.
Bobo o brinquedo em achar que não quebraria. Que as crianças poderiam repartir, e brincar.
Naquela cabeça sem corpo passava uma dúvida.
Morrerei? É possível um brinquedo morrer?
Espero que seja, não posso lidar com isso, mas era pedaços por toda parte e quando a cabeça sendo carregada pro lixo conseguiu ver as crianças com brinquedos novos.
Ney Dias
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