domingo, 16 de março de 2014

Alice Sant'Ana

Eu tô impaciente, fiz escolhas inconsequentes, agi com pensamentos de segundos. Eu, que penso tanto pra falar. Eu, a ovelha negra. A mulher da lua, corpo, sol e poesia nua. Refazendo passos incertos longe dos teus olhos negros e sobrancelhas cruas. Usando do teu fardo cansado pra me derreter em prazeres raros e rápidos, fugaz como o perfume da noite que se perde em nossos corpos encharcados pelo suor e brisa da relva. As estrelas abençoando e concebendo uma vida além da nossa. Vida mais incerta que meus passos e seu som. Som esse que me toma o peito e teme em me transformar em uma amante de palavras cantadas, palavras que você sussurra em meu ouvido enquanto prova do meu mais proibido pólen. Me roubando o direito de saber andar sozinha. O direito de seguir sem mais ouvir a tua voz, dizendo pra onde devo ir. E eu me viciei no doce que o prazer me deu ao sentir seu mel, seu toque e delicadeza. Meu pescoço sem restrições, marcado por tua boca desenhada, ainda te espera e a minha boca sem vergonha que já tem total intimidade com a sua, grita pra dentro que de ti precisa e para completar, que de ti não é completa. É só mais uma boca, sem vergonha.

Alice Sant'Ana

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