segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Mas obrigado por perguntar!



Me encostei no canto, la no fundo.
Eram dez horas
Elevador vazio
Garagem vazia
Sábado a noite todos tem o que fazer

A pequena pressão da subida da máquina
Me fez ceder
Escorreguei nas partes de lata gelada
Fui até o chão

As pernas não aguentaram mais manter todo o corpo
Todo o fardo

Claro que a pressão foi uma desculpa

Precisava encostar ali naquele momento
Olhei pra baixo
Fitei o chão.
Próximo, muito próximo

Só torci pra que ninguém entrasse até meu andar
Não teria força pra manter a compostura

A porta se abriu

Ouvi um boa noite.
Voz de mulher, saltos, só vi os saltos

Não levantei a cabeça, respondi o um boa noite abafado por entre os braços apoiados nos joelhos.

Você está bem?

Mais uma frase veio dela

Um pouco zonzo, mas estou!

Foi o que me veio à mente.
Talvez tenha soado rude o suficiente pra finalizar o breve diálogo que foi tentando.

A porta abriu

Gerou a dúvida se era meu andar

Teria que levantar a cabeça, o fiz.

Era...
Um solavanco e me levantei.
Não a olhei nos olhos, não sei seu rosto, nunca saberei.

Mas obrigado por perguntar!

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