sexta-feira, 18 de abril de 2014

Nunca a última ceia.

Não quero, não abro mão.
Sou sim um sonhador, que me perdoem os mestres e pensadores.
Crio minhas ilusões, as amo, me apaixono.

Me alimento do irreal do lúdico, oh vida chata, e morna.
Deixe-me adoça-la, criar em ti algo mais amável do que a dura realidade mal cheirosa que me é oferecida.
E aos meus, se quiserem provar comigo o doce do imaginário...
Será servido o banquete, e apreciado com todos os sentidos.
E aos sem boca, triste fim, real.
E aos sem boca, resta apenas o cheiro que não me agrada as narinas.

Lindo, é a liberdade de não cheira-lo, de criar meus aromas.
Ah! Não posso empurrar-lhe garganta a baixo, sonhos meus.
E nem levar seus dedos cegos a mesa posta.
Meu rosto se entorta, com ar de tristeza e desdém. Por não sentares a mesa...
E nem degustar o que preparei. Com tanto amor, arte, e criação.

Se preferes vestir-se de criatura, triste fim, real.
Me encanto e me moldo para caber nas vestes de criador,
mesmo eu não sendo nada além de nada, crio. E quem não pode?
Os sem boca, as criaturas, os moldados, os prontos...
Chatos niilistas, pobres niilistas.
Estão prontos!
Mal sabem que prontos nunca serão, e a prontidão os deixa inacabados.

Crio, me crio, crio um, crio outro, volto pra terminar o eu.
Esqueço do outro, mas pronto nunca...
as vezes durmo pronto e acordo inacabado, e vamos nós, eu e os criados que criam buscar, a nova fórmula pra sonhar e adoçar a vida fétida.
O baquete está servido, sente-se se quiser.

Ney Dias



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