quarta-feira, 9 de abril de 2014

Corta

A lâmina amar pode te ferir, ou ajudar a se alimentar.
Escolho cortar as coisas certas. Repartir...
Não sinto mais o sangue, o sabor férreo do sangue.
Retirei a poucos dias meu próprio fluido do meu paladar.

Amar, leve.
Amar, leve.
Amar, leve.

Onde você está agora? Qual o gosto em sua língua?
Escolha o doce...
Penso, logo existo, logo sinto, logo penso que penso por sentir.
Mas não! Sinto por pensar, acreditar sem gnose.
Sem me desconceituar, rendo-me ao arqui inimigo do meu crescer.
Maldito ego, inflama, me torna dor, pus e tirania.

Dramaticidade, minha forte inclinação.
Sou dotado disso, daquilo e de outro, dotado de mais do que menos.
Meu amor por ti será sempre seu. Seu amor por mim será sempre meu.
Mas não vivê-lo o transformará em órfão, seus pais o renegam.
Imaturo e infantil, largado para definhar, aos lobos jogado.

Estou aqui, esperando, querendo e amando.
Vire a lamina para o lado correto. Seu sangue não te alimenta.
Ataque os lados, a frente e atras, mas vire a lamina.
Já sabe que corta.

Ney Dias

Nenhum comentário:

Postar um comentário