terça-feira, 1 de abril de 2014

Sem título

Sempre me perguntei... Se seria melhor ser cego desde o nascimento.
Ou perder a visão ao longo da vida.
Se as imagens na memória, atrapalhariam na vida, trazendo a tona a saudade de um tempo de luz.
Ou ajudariam para todo o tempo de existência do ser. Mesmo que não visse, saberia a real imagem das coisas.

A vida resolveu mostrar-me, furando-me os olhos.
Me trazendo a luz, e sangrando minha visão. Agora terei minha resposta.
Provei o doce da vida, lambi e senti o prazer do vazio tapado pela primeira vez.

Mas como um filho morto em seus quinze dias de vida, seu corpo frio no berço.
O olhos não aguentaram, e sangraram... Escorreram pela face até o queixo.

E escuridão retomou o seu lugar de origem, o vazio retornou, e retomou ao lugar que sempre foi seu.
Vou tatear, sentir os contornos, os cheiros, mas com a imagem na mente.
Lembrar dos dias... Dos sorrisos... Das lágrimas... Dos toques...

Antes morto cedo. Cego cedo...
Antes morrer ao amanhecer...

Ney Dias

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