quarta-feira, 14 de maio de 2014

Resíduo.

Espero que tenhas um lixo enorme.
Onde caiba meus sonhos...
Espero que tenhas um lixo enorme.
Onde caiba suas lembranças;
Onde caiba nossa luta, e caiba nossos sorrisos.
Onde caiba a esperança e promessas.

Espero que seja firme o recipiente.
Para que aguente o peso da culpa e do arrependimento.
Espero que seja firme...
Aguente a dor que cresce depois de jogada fora, alimentada pelos vermes.

Que seja fechado, selado...
Para que o cheiro não se espalhe.
Que não sinta ele do nada em meio momentos que poderia dividir.
Tomara que a bela flor nascida do outro lado do atlântico te cause sorrisos e não lágrimas.
Ela será sua, só sua... Apenas sua...

Que não seja transparente, pra esconder as imagens registradas;
sejam elas por câmeras, ou pela mente.
Que mantenha a luz, que deveria arrancar sorriso, bem presa;
junto com o calor do colo.

Agora informe-se.
Pois não sei que embalagem usar pro amor;
pelo que sei ele rompe barreiras, quebra estruturas.
Foge de jaulas, pula muros. Agarra o que quer com as unhas os dentes as mãos.

E se puder, divida comigo seu espaço fétido.
Não me preparei pra tanto desuso, tanto descarte!
Não tenho onde guardar o que quis contigo, não tenho onde por meu sonho.
Me falta embalagem apropriada pra caber toda uma vida.

Não posso comprar tal alcova, não tenho plano funerário.
Onde enterrarei tantos mortos, meu sonho já fede a dias...
Infelizmente não terá a opção de negar-me tal favor,
Carregará contigo, no seu lixo.
Pois já levou, pois já fede.

Ah! Se distância evitasse o cheiro, o peso, o tamanho...
Não chagaria a mim, mas ele tem o poder de cruzar oceanos e mares.
Atravessar fronteiras sem documentos, ou autorizações e ele virá. Sim virá.
E saberei que não reciclou nada, que espera desmanchar como a maioria dos lixos.

Saiba, não dividirá nada, fará o que é seu...
Porém o resíduo fica pros dois.


Ney Dias














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