segunda-feira, 5 de maio de 2014

Eu vejo!

Vejo poesia no relógio parado.
Na porcelana velha em cima da prateleira.
Vejo poesia no gramado falhado da casa abandonada, porém habitada.
No olhar do homem mal vestido, e mal cheiroso, em meio a riqueza da metrópole.
No pequeno cão, preto no asfalto fazendo sombra.
Na cinza do cigarro. No ambiente fétido que reflete a alma.
Vejo poesia no sorriso da moça, no abraço da criança.
No cumprimento do ébrio. No seu repetir de frases inúteis.
Na lágrima, nas lágrimas, do sorrir, chorar e se emocionar. Na luta...
No estresse do trânsito parado, na calmaria de um parque ensolarado.
No caos emocional do amar, na ânsia do querer, na colonização do outro.
A sinto no semi silêncio do banho.
Na bronca da mãe, na contrariedade do filho. No nascer e no morrer.
Na penetração bruta e no toque sutil.
Não faço poesia, as colho no jardim do existir.

Ney Dias

Um comentário:

  1. Realmente, a poesia não se faz...ela existe, é apenas uma questão de sentir. Lindo demais

    ResponderExcluir