Vejo poesia no relógio parado.
Na porcelana velha em cima da prateleira.
Vejo poesia no gramado falhado da casa abandonada, porém habitada.
No olhar do homem mal vestido, e mal cheiroso, em meio a riqueza da metrópole.
No pequeno cão, preto no asfalto fazendo sombra.
Na cinza do cigarro. No ambiente fétido que reflete a alma.
Vejo poesia no sorriso da moça, no abraço da criança.
No cumprimento do ébrio. No seu repetir de frases inúteis.
Na lágrima, nas lágrimas, do sorrir, chorar e se emocionar. Na luta...
No estresse do trânsito parado, na calmaria de um parque ensolarado.
No caos emocional do amar, na ânsia do querer, na colonização do outro.
A sinto no semi silêncio do banho.
Na bronca da mãe, na contrariedade do filho. No nascer e no morrer.
Na penetração bruta e no toque sutil.
Não faço poesia, as colho no jardim do existir.
Ney Dias
Realmente, a poesia não se faz...ela existe, é apenas uma questão de sentir. Lindo demais
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