Hoje falta-me talento.
O grito não consegue sair.
As lagrimas secas, cansadas, impossibilitam o esvair da dor.
Como extravasar isso?
Falta-me arte...
Falta-me a destreza do músico que chora com as notas.
Falta-me o traço firme do desenho pra expor as trevas.
Meu talento me limita.
A ausência de prazer me causa dor intensa.
E não vejo analgésico.
Oh minha arte, me abandona no momento em que só a ti me daria.
Vida!
Me dê argila pra amassar e construir um sorriso no rosto dela;
Ou uma mascara pra me tapar.
Quero um martelo e um cinzel pra talhar a pedra que pesa em meu peito.
E transforma-la em algo notoriamente belo.
Se sinto como tal...
Hoje falta-me o talento.
Artista moco pra musica, desforme para o talho...
Inapto pro risco. Prolixo pro escrever...
Meu sentir é tolo e dependente. Infantilizado pela insatisfação inerente.
Observarei a arte alheia que me foi dada.
Que me sobra...
que me ampara.
Que o talento fora, toque o dentro vazio.
Preencha a lacuna do artista seco, cinza...
E se essas mãos não fazem...
Use sua boca carnal pra construir o sorriso que lhe falta.
E devolva meu bom sentir.
Ney Dias
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