quarta-feira, 2 de julho de 2014

Dom

Não gosto de poesia.
Ela me persegue durante o sono.
Me acorda.

Não gosto de poesia.
Ela me engasga.
Me afoga o peito.

Não gosto de poesia.
Ela grita comigo.
Me obriga a falar.

Não gosto de poesia.
Ela me nomeia.
Gruda no meu eu.

Meu sentir é tosco...
Um devaneio completo de erros sequenciais.
E ela me entrega.
Me julga e condena.
Fala por si.
É um escarro de palavras.
Há de chegar o dia em que não mais serei condenado.
Quando expressar através dela como uma alma apodrecida fede.


Ney Dias

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