Fecho a tampa todos os dias, uma frágil tampa mas a fecho.
Os pequenos pedaços se empilham em seu interior.
Cada boa noite, cada bom dia, cada te perdoo, cada perdão;
Cada oi e cada tchau, cada como você está e cada estou bem;
Guardo nela todos os, por que fez isso, e fiz porque.
Todas as vontades e anseios, recusas e convites.
Fotos que foram e não foram tiradas, ligações não feitas e não atendidas.
Sua tampa sem poeira de desuso abre e fecha todo o dia. Toda hora.
Guardo nela as mágoas os sorrisos, os carinhos e os olhares frios.
Molho seu interior e seus pertences com suas lágrimas e as minhas.
E embaixo, bem lá em baixo coberto e molhado.
Bem esquecido e desfeito do tempo.
Guardo o eu te amo. E ela guardo apenas ao meu alcance.
Em mim, onde não vejo não toco mas sinto.
Ney Dias
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