Enquanto caminho pedaços se perdem.
Deixo partes do homem que sou, fui, por onde passo.
Foi livre meu pensar, minha vida a imaginar, quando tive um sonho a sonhar.
Agora com minhas partes foi algo que não sei bem.
Que levou, o tempo, e agora já não sei.
Se um dia vou recupera-la se quero ela novamente.
Te juro já não sei.
Cada dia acontece isso, sei que deveria agradecer.
A mudança oferecida pela vida, aumentando meu saber.
Mas bem cansado de sofrer com as partes retiradas. De fazer as ataduras, dos remédios amargos.
Já sou só bandagens, curativos, já não me vejo por inteiro.
As vezes me desconheço e me reapresento no espelho.
Com medo de me esquecer, de não lembrar do que um dia já fui.
Gostava de mim inteirinho, como era antigamente, um ser com todas as partes.
Corpo, Espirito e mente.
E, um sonho na mente carregado de amor...
Mas vou andando com o que resta. Não peço muito mesmo.
Não vou acreditar mais, só isso, que minha parte voltará.
A fim de não tirar os curativos e machucar de novo em cima do mesmo lugar.
Por que dói. Uma dor que demora de passar. Impertinente e duradoura.
Firme forte essa dor, até mais forte que o sonho que se foi.
Durará mais bem mais, que a esperança de ver o sonho em vida.
E os pedaços? Devem estar em algum lugar, completando como peças.
Outros homens e mulheres, que quiserem mais eles como deles.
Mais que eu quis.
Mais que eu fiz questão de tomar cuidado pra que não caíssem no caminho.
Que façam bom uso. Que não percam também.
Que lhes sirvam como guia para algo diferente.
E que usem eles bem longe de mim, pra não despertar a inveja no velho dono desse sonho mágico...
E irreal.
Dói.
Ney Dias
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