domingo, 5 de fevereiro de 2017

Meu veneno foi a esperança

Hoje velei-me

Na verdade, notei que velava-me há alguns dias. A morte em vida havia me alcançado e não notara.


Uma tristeza residia em meu corpo um inquilino tão fiel que passava despercebida.
Como aquele móvel inútil que toma espaço mas não incomoda o suficiente para ser retirado do recinto.


Era tão comum, descer rapidamente os degraus do humor até o inferno astral, que já se fazia curto o caminho por repetição.
E foi assim, dia após dia que em um estante de insight notei...
Estava velando a mim em vida plena.
Alimentando o corpo para mantê-lo em movimento mas sem uma rota desejada.
Já não havia mais desejo inserido.
Apenas a sobrevivência instintiva do bio.
Morri, e se pra tudo há solução, menos para morte. É assim que é.
Não há mais solução já que a morte chegara.
O que mantém o corpo, são os aparelhos.
Aparelhos esses nada tecnológicos.
A prole, as obrigações, a culpa, o reparo a moral destruída, a esperança que como sempre faz seu papel vão de manter.
Manter.
Manter.
Iludir.
E frustrar.
Talvez o que sempre tive mesmo foi esperança e só.
Sem a mínima possibilidade de conquistas, seja por lógica ou ineficiência, ou por ambos.
E a lucidez sobre o desencarne do sonhador se faz tão inútil quanto a ignorância de outrora.
Alcancei a provável metade de minha existência para notar a irrelevância da mesma.
Minhas escolhas egoístas me levaram para longe da pessoa que realmente precisava de minha presença. E com isso algo que agonizava veio a óbito.

E como não há solução para a morte.

Levemos até as últimas consequências! 


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