Hoje velei-me
Na verdade, notei que velava-me há alguns dias. A morte em vida havia me alcançado e não notara.
Uma tristeza residia em meu corpo um inquilino tão fiel que passava
despercebida.
Como aquele móvel inútil que toma espaço mas não incomoda o suficiente para ser retirado do recinto.
Como aquele móvel inútil que toma espaço mas não incomoda o suficiente para ser retirado do recinto.
Era tão comum, descer rapidamente os degraus do humor até o inferno
astral, que já se fazia curto o caminho por repetição.
E foi assim, dia após dia que em um estante de insight notei...
Estava velando a mim em vida plena.
Estava velando a mim em vida plena.
Alimentando o corpo para mantê-lo em movimento mas sem uma rota
desejada.
Já não havia mais desejo inserido.
Apenas a sobrevivência instintiva do bio.
Apenas a sobrevivência instintiva do bio.
Morri, e se pra tudo há solução, menos para morte. É assim que é.
Não há mais solução já que a morte chegara.
Não há mais solução já que a morte chegara.
O que mantém o corpo, são os aparelhos.
Aparelhos esses nada tecnológicos.
Aparelhos esses nada tecnológicos.
A prole, as obrigações, a culpa, o reparo a moral destruída, a esperança
que como sempre faz seu papel vão de manter.
Manter.
Manter.
Iludir.
E frustrar.
Manter.
Manter.
Iludir.
E frustrar.
Talvez o que sempre tive mesmo foi esperança e só.
Sem a mínima possibilidade de conquistas, seja por lógica ou ineficiência, ou por ambos.
Sem a mínima possibilidade de conquistas, seja por lógica ou ineficiência, ou por ambos.
E a lucidez sobre o desencarne do sonhador se faz tão inútil quanto a
ignorância de outrora.
Alcancei a provável metade de minha existência para notar a irrelevância
da mesma.
Minhas escolhas egoístas me levaram para longe da pessoa que realmente
precisava de minha presença. E com isso algo que agonizava veio a óbito.
E como não há solução para a morte.
Levemos até as últimas consequências!
E como não há solução para a morte.
Levemos até as últimas consequências!
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