Sofaziei
Sim sofaziei
Com o tempo fui entendendo as promessas.
As promessas de solidão dadas por amores.
Perdi de tempos em tempos as camas que me couberam.
E então o sofá me abraçou.
Prometeram-me a solidão do sofá
E então o dia chegou.
Não me houve escolhas restantes. Sofaziei.
Minhas noites já não tão belas.
Tornam-se apenas um momento de descanso obrigatório.
Não há local aconchegante, só o sofá da sala sem forro.
O olhar perdido pra cima, me mostra as telhas velhas e fios coloridos em uma desorganização sem beleza.
Sofaziar me trouxe a solidão mais acompanhada que já tive.
Os aquários barulhentos... a noite...
O som que é imperceptível durante o dia...
Torna-se incovenientemente alto e constante.
Sofaziei.
Escondi minha tristeza em um lençol fino.
Que também servia pra me livrar dos pernilongos que entravam pelas frestas da casa velha.
Uma feia casa velha.
Que não tinha lembranças boas, e nem cômodos grandes onde corri criança.
Minha vontade é desligar as bombas de ar...
Mas os peixes morreriam.
Não posso fazer isso!
A TV desligada, reflete em seu tubo enorme minha imagem deitado no sofá.
Um corpo gordo, desorganizado e sem beleza...
Meu corpo estranho.
Um corpo estranho em todos os lugares.
Nada que criei foi forte e duradouro...
Só na minha cabeça.
E essa é poderosa na criação de justificativas...
Justifiquei até erros alheios...
Bobo eu!
Dormi ao lado de pessoas que me sofaziaram sem pensar duas vezes.
Ou pensaram... Duas, três, quatro... Mil vezes...
Mas no final, sofaziaram-me!
Me deixa calar!
Que o sofá ainda me resta...
E isso é o suficiente pra quem percebe que não presta.
Ney Dias
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