sábado, 27 de junho de 2026

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COMO VIREI SRTA FOX

O livro que começou antes de existir.

Comece agora.
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Livro Digital — R$ 27

Edição Fundador — R$ 47




Nem toda história de amor começa com um beijo.

Algumas começam com uma pergunta que você passou a vida inteira tentando não fazer.

Como Virei Srta Fox é uma história real sobre desejo, medo, limites, não monogamia, BDSM e a coragem de descobrir quem você é sem desaparecer.

Não é um manual.

Não é pornografia.

Não é uma tentativa de convencer você a viver como nós vivemos.

É a história de uma mulher comum atravessando vergonha, curiosidade, fantasia, cuidado e liberdade até encontrar uma parte de si que já existia antes de ter nome.


Você provavelmente não chegou aqui por acaso.

Talvez você tenha visto um vídeo da Franciele.

Talvez conheça o trabalho da Tríade do Amor.

Talvez tenha lido um trecho nas redes sociais.

Ou talvez só tenha sentido que algumas histórias nos atravessam antes mesmo da primeira página.

Seja qual for o caminho, seja bem-vindo.

Este livro não nasceu para explicar BDSM.

Nasceu para contar uma transformação humana.

A história de uma mulher que descobriu que seus maiores desejos tinham muito menos relação com sexo do que com liberdade.


Não é um livro sobre BDSM.

É um livro sobre coragem.

Coragem para admitir desejos.

Coragem para decepcionar expectativas.

Coragem para dizer: isso não serve mais para mim.

Coragem para construir uma vida que faça sentido mesmo quando ninguém entende.

Algumas histórias não são inventadas. Elas apenas esperam coragem suficiente para serem escritas.


O que você vai encontrar

✔ Como Franciele descobriu o BDSM.

✔ O primeiro contato com a não monogamia.

✔ Os erros, os medos e as cenas que deram errado.

✔ Os encontros que mudaram tudo.

✔ Os bastidores emocionais que normalmente ninguém conta.

✔ A construção da Srta Fox.

Nada foi escrito para chocar.

Tudo foi escrito para ser verdadeiro.


Escolha como quer entrar nessa história

🦊 Edição Fundador

R$ 47

Para quem quer fazer parte do começo desta história.

Você recebe:

✔ Livro digital completo em PDF.

✔ Convite para um encontro online exclusivo com Franciele Matos e Ney Dias em aproximadamente 30 dias.

Nesse encontro vamos conversar sobre o livro, responder perguntas, ouvir interpretações dos leitores e compartilhar o que ficou por trás da escrita.

Não é uma comunidade permanente.

Não é assinatura.

É um clube do livro de um único encontro.

Uma conversa entre autores e primeiros leitores.

PARTICIPAR DA EDIÇÃO FUNDADOR — R$ 47


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📖 Livro Digital

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Para quem quer apenas ler a história.

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Para quem é este livro?

Para quem gosta de histórias reais.

Para quem já viveu conflito entre desejo e culpa.

Para quem sente curiosidade sobre BDSM sem querer pornografia.

Para quem gosta de psicologia dos relacionamentos.

Para quem acredita que pessoas são mais interessantes que rótulos.


Talvez este livro não seja para você.

Se procura um manual.

Se procura técnicas.

Se procura erotismo gratuito.

Se procura respostas prontas.

Provavelmente vai se frustrar.

Este livro faz perguntas melhores do que respostas.


Uma última coisa.

A Srta Fox existe.

Franciele existe.

Ney existe.

A maior parte desta história aconteceu de verdade.

Alguns nomes foram alterados para preservar pessoas.

Mas as emoções continuam exatamente onde aconteceram.


Comece agora.

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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Meu primeiro sucesso foi numa guarita de um emprego embassado.

Pra lá de vinte anos escrevendo sobre amor, independência, dependência química, dependência emocional, desintoxicação da monogamia, relações, vícios, fuga, desejo, dor, abstinência e essa mania humana de chamar corrente de segurança.

E agora escrevo meu primeiro livro sobre BDSM, em parceria com minha namorada.

Um romance viadinho, cheio de carinho, ciúme, medo, caos, coleira, ternura, tesão, vergonha, cuidado, raiva, liberdade e essa tentativa absurda de transformar vida em literatura antes que a vida transforme tudo em esquecimento.

Que loucura.

A vida é uma piada linda mesmo.
Nem eu seria tão criativo para inventar uma vida como a minha, por isso talvez seja melhor escrever a partir dela.

Antes de blog, antes de Instagram, antes da Tríade ou rede socias, antes de método, antes de curso, antes de livro, teve um menino sentado numa guarita de hospital público escrevendo um conto à mão em folhas de caderno. Meu primeiro emprego com carteira assinada foi como segurança de hospital, e de longe foi um dos lugares mais horríveis onde já trabalhei.
Hospital público, escala seis por um em um cargo que ninguém respeita ensina cedo demais a diferença entre estar empregado e estar vivo.
Na época  pedi uma ajuda que veio quase com cara de punição. Aquela vaga, aquele emprego era tão horroroso que cabe um livro só dele. 
Fora o próprio desrespeito do empregador para com a gente que não éramos  funcionário diretamente da área da saúde, então ficávamos as margens a maior parte do tempo, a gente vê dor, grito, surto, pobreza, medo, abandono, gente segurando gente, gente tentando sobreviver do jeito que dá, e no meio disso eu estava lá, jovem demais, cansado demais, tentando virar adulto no susto.

E escrevendo.
Conheci muita gente legal, isso sim, até me casei lá, fiz amigos... no quesito social foi intenso, eram mais de mil funcionários de vários turnos e eu ficava parte do planto na guarita administrativa. 

Devia ter uns dezenove anos quando escrevi meu primeiro conto que mostrei a desconhecidos. Umas vinte páginas, sei lá. Uma trama meio doida, com uma menina e uma mulher que se juntavam para tirar uma onda com um cara. Tinha traição, fuga, tensão, quebra de expectativa, ponto dramático, essa coisa toda de quem ainda não sabe escrever, mas já sabe que dentro de uma história todo mundo quer alguma coisa, esconde alguma coisa e foge de alguma coisa.

Foi meu primeiro sucesso.

Sucesso mesmo.

Não sucesso de editora, prêmio, crítica, lançamento ou foto segurando livro. Foi sucesso de guarita, sucesso de horário de almoço. Foi sucesso de companheiro de trabalho aparecendo para perguntar se eu já tinha escrito mais. Os caras da segurança liam o conto e pediam continuação. Acompanhavam em tempo real aquela história feita com caneta, no intervalo de um trabalho ruim, por um jovem que talvez não soubesse quase nada da vida, mas já tinha dentro dele essa urgência besta e sagrada de transformar pensamento em narrativa.

Ali eu senti que tinha talento.

Pode parecer pequeno, mas não foi.

Para um escritor, alguém querer a próxima página é uma droga poderosa. Mais íntima que curtida, mais perigosa que elogio. Alguém entrava na minha ficção e voltava pedindo mais. Alguém queria saber o que eu ia escrever depois.

E hoje eu olho para aquele garoto e tenho certeza absoluta de uma coisa ele está feliz agora.

Eu estou feliz e orgulhoso por ele.

Feliz porque ele acreditou porque terminou aquelas páginas porque recebeu parabéns dos colegas.

Eu lembro da minha plateia feita dos meus iguais, gente de trabalho, gente de guarita, gente de almoço corrido, gente que não precisava fingir sofisticação para gostar de uma história. Feliz porque, naquele lugar improvável, alguém disse para ele, mesmo sem dizer assim com todas as letras vai continua. Disse. Disseram. 
Lembro de gente me dizer que nunca tinha lido, e que iria começar a ler mais. 

Os que mais me lembro, me marcaram Paulão meu mestre, João Paulo vários rolês , Daniel... sério, lia concentrado, acho que o mais ansioso pelo final, Mário doido, doido, doido. A memória traz esses nomes como quem abre uma porta enferrujada e deixa entrar luz e cheiro de passado.

Comecei a terminar o meu livro aqui hoje, no conforto do meu lar, comecei falando de BDSM e, quando vi, estou de novo num hospital público, sentado numa cadeira ruim, escrevendo à mão, esperando alguém voltar do almoço para perguntar da próxima página.

Talvez eu sempre tenha escrito sobre a mesma coisa.

Desejo.

Fuga.

Vergonha.

Poder.

Afeto.

Dependência.

Tentativa de ser visto.

Tentativa de não morrer por dentro.

Eu só não sabia ainda.

Depois a vida veio e não veio nem um pouco fácil.
Nela vem balcão, forno, hospital, cozinha, comércio, rua, madrugada, mesa de bar, ônibus, marginal, poema escrito onde dava, filha no colo, culpa no peito, falência, golpe, traição, paternidade torta, amor errado, depressão, dependência, recuperação, conversa difícil e essa vontade insistente de arrumar com palavras aquilo que a vida quebra sem pedir licença. 

Eu não passei a vida só lendo para escrever.

Eu fui viver.

Li também, li muito, mas fui viver essa vida agulha traiçoeira, essa vida lâmina fria, filha da puta que rasga a gente e depois ainda exige que a gente faça sentido com os pedaços. Virei segurança, pizzaiolo, garçom, vendedor, gerente, empresário, dono de pizzaria, varri chão, servi mesa, segurei paciente psiquiátrico, ouvi conselho de gente simples, ordem de gente burra, quebrei, levantei, acreditei em gente errada, perdi, recomecei, fui pai sem saber ser pai e tentei ser melhor do que eu conseguia ser com as ferramentas ruins que a vida tinha me dado.

A dependência química ainda jovem, me jogou no fundo do poço e, de algum jeito torto, me empurrou para o aconselhamento terapêutico, para o estudo da mente humana, para a escuta, para tentar entender por que a gente se destrói procurando alívio.
Anos depois, já limpo e tento sucesso em outros ramos de atuação, depressão me fez parar caminhos que eu achava que eram minha vida e me devolveu para essa mesa, para essas horas, para essa escrita mais nua, mais baixa, mais minha. Eu não romantizo nada disso. Fundo do poço não é aula de poesia. Depressão não é musa. Mas eu seria covarde se fingisse que algumas portas da minha vida não abriram depois que outras desabaram.

Malditos humanos.

Eu amo vocês.

E vocês me destroem sempre o suficiente para que eu faça arte com isso.

Eu não escrevo para pedir licença dentro de biblioteca cheia de gente chata.
Escrevo para quem lê no intervalo, no banheiro, na cama, no ônibus, depois da briga, antes de dormir, no meio da crise, entre um boleto e outro.
Escrevo para quem trabalha cansado, ama errado, volta para casa se sentindo ninguém, sente vergonha da própria vida e mesmo assim continua. Escrevo para você poder ler e entender essa merda de vida que quase ninguém fala sem enfeitar e sem omitir que fez merda. Gritando de dentro da piscina gelada que a agua está quente e confortável pra ver se alguém também pula e vira cumplice da mentira.

E agora, mais de vinte anos depois daquele conto na guarita, estou lançando meu primeiro livro.

Meu primeiro livro.

Não porque eu não tenha escrito antes. Eu escrevo há uma vida inteira.

Mas livro é outra nudez. Assustadora, e olha que a maioria aqui já me viu nu mesmo. 
Livro parece dizer... Agora essa bagunça tem capa e tem seu nome, capítulo, autoria, corpo. Prova. Agora aquilo que escapava em post, poema, blog, conversa comprida e madrugada virou objeto. Virou convite. Virou risco.

E agora tem a Fran.

Essa parceira de loucuras, essa adversária na arte de ter atenção, essa obsessiva caminhando ao lado de um disperso. Dois doidos tentando fazer uma coisa mais doida ainda que é escrever a loucura da própria vida e disponibilizar para a internet inteira ler.

Ela veio com a própria raiva do mundo. Eu vim com minhas ruínas organizadas em parágrafos. No meio disso nasceu um livro.

Um livro que tem BDSM, mas não é só sobre BDSM. Tem ciúme, mas não é só sobre ciúme. Tem sexo, mas não é só sobre sexo. Tem submissão, mas não é sobre desaparecer. Tem dor, mas também tem cuidado. Tem coleira, mas também tem liberdade.

Esse livro inteiro foi escrito basicamente com Chopin no ouvido.

Olha que desaforo.

Um livro sobre desejo, poder, entrega, não monogamia, dominação, ciúme e pertencimento nascendo com música clássica, café, bagunça emocional e duas pessoas tentando escrever sem mentir demais para si mesmas.

Vinte anos escrevendo quase todos os dias, e eu nunca me senti tão nu.

Capítulos um e dois já estão disponíveis.

O link está nos destaques dos Instagrams meu e dela.

Meu primeiro livro está nascendo.

E talvez meu primeiro sucesso ainda esteja lá há 23 anos atrás, sentado numa guarita, com uma caneta na mão, esperando alguém voltar do almoço e perguntar:

“E aí, já escreveu mais?”





terça-feira, 24 de março de 2026

Como Eu Quase Me Destruí Sabendo de Tudo. O Problema Nunca Foi Falta de Consciência.

Trabalhei três dias nesse texto. Me fechei em memórias, vasculhei meu subconsciente, estudos e silêncios para buscar a origem de tudo, e ainda assim parece pouco perto do tamanho da desonestidade que a gente sustenta só para não ter que mudar. Passei esses dias trancado em casa, tocando em feridas profundas da minha criança e do meu adolescente, e o que saiu foi isso, um manifesto, uma verdade crua, um pedaço de mim que não aceita mais negociações baratas. Se você está aqui, só te peço uma coisa, abra a mente e respeite a história humana que eu sangrei nestas palavras.

O Especialista em Caos

Eu não sou um cara que fala bem sobre relacionamento. Eu sou um cara que estudou e estuda obsessivamente o comportamento humano porque não conseguia viver cinco minutos em paz dentro da própria cabeça.

São mais de 19 anos lidando com dependência. E eu não estou falando só de trabalho e gestão de conflitos alheios ou familiares de dependentes. Estou falando de reconhecer o mecanismo funcionando no meu sangue, na minha família, na minha conta bancária, na minha cama e na minha busca patológica por validação, que mesmo tratada e silenciada ainda deixa prejuízos. E eu não me esqueço que reparações precisam ser feitas, a mim e a terceiros.

Enquanto eu tentava me entender, a vida não deu pausa. Eu trabalhava, tentava manter uma empresa em pé, tentava criar uma filha, casava, separava e quebrava de novo. Não existe um tempo técnico para se consertar. Você vai fazendo escolhas desorganizado, vai errando em movimento, vai carregando o peso das consequências enquanto tenta aprender a pilotar. A vida é um trem que não para para você ajustar os trilhos.

Eu fui atrás de estrutura. TREC, TCC, Modelo ABC, 12 Passos, imersão, reprogramação. Eu precisei entender a técnica porque só sentir não estava resolvendo nada. E aí veio o tapa na cara, perceber que explicação não transforma comportamento por si só. Clareza intelectual não garante mudança prática.

Eu era esse cara. Eu dava nomes acadêmicos para comportamentos disfuncionais. Eu justificava o injustificável com uma eloquência invejável. E continuava me sabotando. A dor começa quando você percebe que informação acumulada não reorganiza a vida. O que sustenta o padrão é a forma como você interpreta a própria experiência, são as crenças que você mantém sem revisão.

Eu era o típico bom moço, aquele que confunde ser ético com ser passivo, que evita conflito a qualquer custo, que cede antes mesmo de ser confrontado, que diz sim quando queria dizer não, que tenta agradar para ser aceito e chama isso de maturidade. Eu me lembro de uma amiga dizendo na lata que eu era tão ingênuo que me tornava culpado, e aquilo ficou, porque doeu de um jeito que fazia sentido. Ingenuidade em adulto expõe, porque você deixa de colocar limite, ignora sinal claro, aceita desrespeito achando que está sendo compreensivo, sustenta relação ruim acreditando que está sendo leal.

E isso não só permite problema, muitas vezes cria problema. Quando você não se posiciona, alguém se posiciona por você. Quando você não se responsabiliza por se proteger, você transfere essa função para o outro, e o outro nem sempre tem interesse em te respeitar. Eu precisei aprender na marra que ingenuidade depois de adulto revela falta de estrutura, e falta de estrutura machuca você e quem está à sua volta.

E se você não cresce e assume a responsabilidade pelo seu cuidado e pela sua vida, você troca o objeto. Tira mãe e pai e coloca a droga. Tira a droga e coloca o trabalho. Tira o trabalho e coloca o sexo. Tira o sexo e coloca a tela. O cenário muda, o mecanismo continua operando.

Pode ser o cara fumando pedra na esquina ou a senhora manipulando receita médica. Pode ser o malandro que termina sozinho de madrugada, vazio, ou o compulsivo por comida que não consegue lidar com as próprias emoções sem ultrapassar limite. A forma muda, a lógica interna permanece.

O Colapso da Estrutura

Eu não acordei consciente por iluminação. Eu fui quebrado até parar de mentir. Até parar de me isolar. Isolamento alimenta a auto obsessão porque tudo passa a girar em torno da própria narrativa. Pensamento sem contraste vira verdade, emoção sem limite vira direção. Sozinho, eu distorço, aumento, dramatizo, justifico. E quanto mais eu me escuto sem confronto, mais eu acredito em mim, mesmo quando estou completamente desalinhado com a realidade.

A ideia de autossuficiência sustenta o ciclo, junto com a sensação de que ninguém entende e de que não preciso de ajuda. A saída sempre foi simples e difícil ao mesmo tempo. Sair de si, falar, ouvir, se expor, permitir ser visto. No encontro, a obsessão perde força e a realidade volta a aparecer.

Eu, como a maioria, nasci dentro de um roteiro pronto. Namorar, noivar, casar, manter a família a qualquer custo. Amar era suportar o insuportável. Era ser conivente até com comportamento grave em nome da moral e dos bons costumes. Eu aprendi um amor atravessado por medo, culpa e pecado.

Minha juventude foi um borrão de substâncias, abandono e autodestruição, misturado com festa, relação e amizade que muitas vezes só sustentavam o mesmo vazio com outra cara. Essa foi a primeira grande ruptura, perceber que eu não controlava aquilo que eu jurava dominar. Depois veio algo ainda mais desconfortável, o confronto com o patriarcado dentro de mim. Não como teoria, mas como prática. Eu precisei enxergar o controle, a invasão, a posse disfarçada de cuidado. Isso bate forte, porque desmonta privilégios que você aprendeu a naturalizar.

E mesmo depois de tratamento, de assumir a não monogamia, de me livrar das substâncias e construir autonomia financeira, a conta chegou de outro jeito. O cenário mudou, a estrutura ainda precisava de ajuste profundo. O corpo respondeu. Depressão, mania, burnout.

Teve um colapso claro. Dinheiro indo embora, decisões impulsivas, risco real. Eu não era confiável nem para mim mesmo. E o mais duro foi perceber que não era falta de conhecimento. Era padrão ativo.

E o fundo do poço não fez barulho.

Foi silencioso.

Sem substância, sem fator externo evidente. Só eu funcionando do jeito que sempre funcionou, sem distração para esconder.

Ali caiu qualquer narrativa confortável. O problema estava na estrutura.

Eu me perguntava como alguém com repertório como o meu se colocava em relações sem respeito, como eu repetia escolhas que me feriam. A resposta veio com peso. Quem cresce em ambiente disfuncional aprende a sobreviver, não a se regular. E sobrevivência busca alívio, não respeita limite.

Aprender a ouvir um não e sustentar isso foi parte do processo. Aprender a funcionar em um mundo que oferece anestesia o tempo todo exige prática consciente. Açúcar, tela, comida, álcool, relação baseada em carência, tudo isso disponível o tempo inteiro.

A Tríade não é confortável, é real

A Tríade nasceu na pandemia, num momento de isolamento coletivo. Afetos afastados, processos emocionais já em andamento, e a percepção de que lidar com isso sozinho distorce ainda mais a experiência. O isolamento amplia o que já está mal resolvido e, quando a gente já carrega padrão antigo, a mente cria justificativa rápida para continuar no mesmo lugar.

Ficou evidente a necessidade de um espaço coletivo com profundidade. Um lugar onde fosse possível falar com verdade, sem personagem, com gente que entende o processo de não monogamia e de recuperação. A qualidade da troca muda quando existe alinhamento de vivência, quando a pessoa do outro lado não está só ouvindo, mas reconhecendo.

A Tríade surge como resposta a isso. Um espaço com propósito, onde existe suporte, confronto e construção acontecendo ao mesmo tempo, sem romantizar processo e sem suavizar padrão.

E isso evoluiu.

Relato não sustentava mais. As pessoas começaram a pedir direção, aplicação, ferramenta. Queriam saber como agir quando o padrão aparece, no meio do conflito, na hora em que a emoção toma conta. Foi aí que a Tríade começou a ganhar forma, deixando de ser só troca e virando método, com base, prática e direcionamento aplicável no dia a dia.

Porque acolhimento abre caminho, mas prática sustenta mudança.

A Tríade do Amor não nasce como produto de prateleira. Ela se organiza como estrutura viva, construída a partir do que funciona quando a auto ilusão começa a perder força e a pessoa decide se olhar com mais honestidade.

Ela se apoia em três pilares que eu precisei viver antes de ensinar. Honestidade para encarar a própria mentira interna sem enfeite, mente aberta para revisar crença que você defendeu a vida inteira, boa vontade para sustentar o trabalho mesmo quando tudo dentro de você quer fugir.

E tem uma parte que sustenta tudo isso e que pouca gente nomeia.

Existe um momento em que você entende algo que te salva. Um tipo de clareza que muda a forma como você vive, que organiza pensamento, que te tira de lugar destrutivo. Quando essa virada acontece, guardar isso para si começa a pesar. Surge um impulso de compartilhar, de organizar em linguagem, de oferecer para quem ainda está preso no mesmo ciclo que um dia também foi seu. Isso atravessa qualquer cultura, qualquer contexto, qualquer história humana. A transmissão de experiência com sentido organiza quem fala e abre caminho para quem escuta.

Ao longo da minha vida eu passei por diferentes espaços terapêuticos, fui acolhido, fui confrontado, fui sustentado em momentos em que sozinho eu não teria conseguido manter nenhum tipo de direção. Isso me ensinou algo que hoje eu carrego com muita clareza, processo precisa de gente, precisa de ambiente, precisa de troca real. A tentativa de fazer tudo sozinho até pode começar com força, mas perde consistência com o tempo, a mente encontra atalhos, cria justificativas, distorce percepção, e quando você percebe já voltou para o mesmo lugar com outro nome.

A Tríade ganha força quando isso tudo se organiza em formato. Comunidade ativa, curso voltado para conscientização, espaço de partilha com direção, linguagem acessível e prática aplicável no cotidiano. A experiência deixa de ser solta e passa a ter continuidade, começa a interferir de forma concreta na vida das pessoas, começa a gerar mudança visível, não como promessa, mas como consequência de quem sustenta o processo.

E os frutos aparecem.

Aparecem na forma de gente que começa a se enxergar com mais clareza, que passa a reconhecer padrão antes de agir, que consegue sustentar limite onde antes cedia, que começa a sair de relações que drenam, que reorganiza a própria relação com dinheiro, com prazer, com afeto, com o próprio corpo. Não tem espetáculo nisso, tem consistência. Não tem milagre, tem prática.

A lógica antiga continua disponível o tempo inteiro. O mundo oferece distração, anestesia e fuga em cada esquina. Mudar de cenário, mudar de pessoa, mudar de formato sem mexer na base mantém o mesmo funcionamento com outra aparência. E quando isso não é visto, o ciclo se repete com uma sensação de novidade que engana por um tempo.

Por isso a comunidade se mantém como um ponto de apoio vivo. Um lugar onde a distorção encontra contraste, onde a narrativa individual é atravessada por outras perspectivas, onde o processo ganha sustentação coletiva. Não existe crescimento consistente isolado por muito tempo, porque a mente tende a proteger o que já conhece, mesmo quando isso machuca.

Se alguma parte disso fez sentido, já existe um movimento acontecendo aí dentro. Clareza sobre o próprio funcionamento muda a forma como você se posiciona diante da vida, muda a forma como você se relaciona, muda o tipo de escolha que você sustenta quando ninguém está olhando.

A comunidade está aberta.

Se você sentiu que esse texto não foi só leitura, se alguma parte te atravessou, então talvez já seja o momento de parar de tentar resolver isso sozinho e começar a se colocar em um ambiente que sustente esse tipo de construção.

A imersão da Tríade é um dos caminhos onde esse processo ganha forma, com base, prática e acompanhamento dentro de uma comunidade que não está interessada em te agradar, mas em te fazer enxergar.


Imersão Não Monogâmica - Tríade do amor - Ney Dias | Hotmart

A entrada não resolve tudo de imediato, mas muda o ambiente onde você se constrói, e isso altera a direção ao longo do tempo.

O caos emocional continua existindo.

A forma como você lida com ele pode ser outra.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Não Existe Não Monogamia de Verdade. A Patrulha da Liberdade Também é Prisão.

Eu vejo pessoas dizendo isso não é não monogamia, casal não pode, trisal não é, poliamor não conta, relação aberta é bagunça, e no fundo o que eu escuto não é cuidado, não é ética, é fronteira, é patrulha, é a mesma lógica antiga tentando sobreviver dentro de uma roupa nova, porque a monogamia compulsória nunca foi só um tipo de relação, ela sempre foi um sistema moral inteiro, um sistema que diz como amar, como transar, como sofrer, como possuir, como chamar de traição, como chamar de respeito, e principalmente como se sentir culpado quando não cabe.

E aí acontece a parte mais humana de todas, quando alguém começa a negar esse sistema, quando alguém começa a respirar fora dele, quando alguém começa a tentar construir uma ética própria, surge uma nova polícia, uma nova igreja, uma nova pureza, como se amar de um jeito diferente exigisse santidade, como se alguém precisasse nascer pronto, sem ciúme, sem medo, sem apego, sem resquício, como se a travessia tivesse que ser limpa, perfeita, sem tropeço.

Só que ninguém atravessa assim. E se esta ouvindo esse discurso higienizado cuidado.

Todo mundo que sai da monogamia compulsória sai carregando coisas, carregando inseguranças, carregando reflexos de posse, carregando medo de abandono, carregando a necessidade desesperada de ter certeza, porque a liberdade dá vertigem, porque o vazio dá medo, porque a vida sem script exige coragem, e é exatamente aqui que muita gente se perde, porque em vez de aceitar o processo, começa a procurar uma nova regra, um novo grupo, um novo certo e errado, alguém que diga você está fazendo certo, você pertence, você é um dos nossos.

Desconfio que isso não é maturidade relacional. Isso é dependência emocional disfarçada de consciência.

A maioria das pessoas não sofre porque ama demais, sofre porque depende demais, porque aprendeu a usar o outro como muleta emocional, como anestesia da própria angústia, e dependência não é sobre monogamia ou não monogamia, dependência é sobre controle, sobre a necessidade de possuir para não sentir, sobre a obsessão por garantia, sobre o desespero de não ficar sozinho dentro de si.

E quando alguém transforma a não monogamia em identidade superior, em certificado moral, em verdade final, isso não é liberdade, isso é só mais uma fuga, é monogamia reciclada, é o mesmo sistema respirando por outras frestas, porque o ego humano ama uma hierarquia, ama um trono, ama um lugar onde possa dizer eu sei o jeito certo, me sigam.

É por isso que eu acredito tanto que não monogamia não é forma, não é rótulo, não é estética, não é um conjunto de regras, não é uma receita que alguém te entrega pronta, não importa se você é casal, trisal, poli, aberto, anárquico, em transição, começando agora, tropeçando ainda, o que importa é outra coisa, o que importa é se você está tentando viver sem mentira, se você está tentando viver com consentimento real, se você está tentando construir sem transformar o outro em propriedade emocional.

A Tríade nasce exatamente aí. Nós não somos uma, duas, três, quatro ou cinco pessoas dizendo nada pra ninguém, a tríade é um método, um guia de valores humanos. 

Não como um livro de regras, não como uma polícia, não como um clube de pureza, mas como um guia de valores, honestidade, mente aberta, boa vontade, porque ética relacional não é um formato, é um compromisso interno, acordo não é prisão, acordo é lucidez, negar a  monogamia não é ausência de estrutura relacional, é presença de responsabilidade com o outro agora, no hoje.

E eu diria com toda calma do mundo, desconfiem de quem vende a "não monogamia de verdade", porque quando alguém vende verdade pronta, normalmente está vendendo poder, e relação não é igreja, amor não é receita, liberdade não tem certificado.

Talvez nunca exista um jeito certo.

Talvez só exista a tentativa humana, imperfeita e corajosa, de amar sem posse, de construir sem mentira, de atravessar o medo sem transformar o outro em prisão, e sinceramente, isso já é revolução suficiente.

E se você está nessa travessia agora, se você sente que ama, mas ainda carrega reflexos antigos, se você quer aprender a desapegar sem se destruir, se você quer viver autonomia sem virar caos, então talvez você não precise de uma verdade pronta, talvez você só precise de um caminho ético, humano, possível, um passo de cada vez.

E é exatamente pra isso que a Tríade existe.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Se na pior fase da sua vida eles não estavam lá, por que agora, na melhor, você os procuraria?

Essa pergunta não é provocação. É diagnóstico. É sintoma.

A maioria das pessoas não volta para alguém porque ama. Volta porque está condicionada. Volta porque o sistema nervoso aprendeu aquele ciclo como forma de sobrevivência emocional.

Relacionamentos instáveis, tóxicos ou baseados em dependência criam um padrão previsível de dor e alívio. O cérebro se adapta. Passa a confundir intensidade com vínculo. Conflito com proximidade. Ansiedade com amor.

Quando a relação termina, o corpo não entende como liberdade. Ele entra em abstinência.

É por isso que você pensa em mandar mensagem quando começa a ficar bem.
É por isso que a saudade aparece quando a vida se organiza.
É por isso que melhorar também assusta.

O caos tinha função. Ele dava identidade. Ele ocupava o vazio. Ele evitava o confronto mais difícil de todos: quem sou eu sem essa dor?

Aqui entra uma verdade dura, mas libertadora.
Continuar fazendo as mesmas coisas esperando resultados diferentes não é esperança. É aprisionamento. É insanidade emocional normalizada.

Você não está presa à pessoa.
Você está presa ao ciclo.

E ciclos só se rompem quando há consciência, direção e prática. Não basta entender. Não basta sentir. É preciso método.

É exatamente aqui que nasce a Tríade.

A Tríade não é um discurso. É uma estrutura de saída.

Honestidade.
A maioria das pessoas mente para si mesma. Chama carência de amor. Chama medo de saudade. Chama dependência de conexão. Honestidade é parar de romantizar o que adoece e nomear com precisão o que está acontecendo dentro de você. Sem isso, não existe mudança possível.

Mente aberta.
Mente aberta não é aceitar tudo. É questionar o automático. É admitir que o que você aprendeu sobre amor, relacionamento e valor próprio talvez não esteja funcionando. É abrir espaço para novos modelos de vínculo, novas formas de se relacionar consigo e com o outro, novas experiências emocionais que não passam pela dor como pedágio.

Boa vontade.
Boa vontade é ação consciente. É escolher, todos os dias, investir energia no que constrói e não no que reativa ferida. É sustentar o desconforto da mudança em vez do conforto conhecido da repetição. Boa vontade é compromisso com a própria saúde emocional.

Quando essa tríade começa a ser aplicada, algo muda de verdade.

Você para de correr atrás do passado.
Você começa a construir presença.
Você deixa de reagir e passa a escolher.

E algo que quase ninguém te conta acontece.
O mundo fica maior.

Novas conversas aparecem.
Novos vínculos se tornam possíveis.
Novas formas de amar surgem quando a mente deixa de ser uma prisão e vira um campo de exploração.

Não é que o mundo seja feio.
É que ciclos fechados fazem tudo parecer pequeno.

A nossa comunidade existe para isso. Para romper loops. Para sustentar quem cansou de entender tudo sozinho e continuar repetindo os mesmos padrões. Para oferecer método, apoio, conversa real e prática cotidiana de mudança.

Aqui você não vai ouvir frases prontas.
Vai aprender a identificar padrões.
Vai entender seus gatilhos.
Vai construir autonomia emocional.
Vai descobrir que é possível amar sem se perder.

A promessa é simples e profunda.
O mundo pode ser lindo quando você sai dos ciclos que te adoeceram.

Se esse texto fez sentido, você já sabe.
Ficar onde está não vai gerar algo novo.

Vem para a comunidade.
A Tríade não te promete conforto imediato.
Ela te promete liberdade construída.

E isso muda tudo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Você não está quebrada. Você está em um ambiente que te adoece. Você não é fraca. Você foi treinada a se abandonar

Eu vou começar pelo que eu vejo, não pelo que eu acho.

Tem mulheres que chegam na Tríade falando baixinho, como se pedir espaço fosse crime.
Elas pedem desculpa por chorar. Pedem desculpa por sentir. Pedem desculpa por existir.

E tem uma cena que se repete, muda o rosto, muda a história, mas o roteiro é o mesmo.
Ela senta, respira e diz algo parecido com isso:

“Eu não sei se eu sou instável… ou se eu só fiquei assim.”
“Eu não sei se eu estou exagerando… ou se eu finalmente acordei.”
“Eu não consigo parar de tentar provar que eu não sou a errada.”

Eu fico atravessado porque eu reconheço.
Não é drama. É condicionamento.

E antes de entrar em método, eu preciso te dar um choque de realidade com dados, porque tem coisa que o Instagram transformou em opinião, e não é.

Não é “caso isolado”. É estrutura.

A Organização Mundial da Saúde estima que quase 1 em cada 3 mulheres no mundo já sofreu violência por parceiro íntimo ou violência sexual ao longo da vida. Isso dá cerca de 840 milhões de mulheres. E no recorte de 12 meses, são 316 milhões expostas a violência física ou sexual por parceiro íntimo. O ritmo de queda global é quase nada: cerca de 0,2% ao ano nas últimas duas décadas. (Organização Mundial da Saúde)

Agora desce para o Brasil e segura.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou 1.492 feminicídios em 2024. O perfil é brutalmente claro: 8 em cada 10 foram mortas por companheiros ou ex companheiros e 64,3% dos crimes aconteceram dentro de casa. E as tentativas de feminicídio aumentaram 19%. (Agência Brasil)

E tem mais. Em 2024, o Brasil registrou 87.545 estupros e estupros de vulnerável, o maior número da série histórica, com a frase que deveria parar o país: a cada seis minutos, uma mulher foi estuprada. (Agência Brasil)

Se você leu isso e sentiu um aperto, ótimo.
Isso é consciência batendo na porta.

O que um ambiente hostil faz com uma pessoa boa

Agora eu vou te contar uma história que eu já vi mil vezes, sem expor ninguém.

Ela cresceu num núcleo onde amor vinha com bronca, chantagem, grito, silêncio, humilhação.
Ela aprendeu cedo uma regra invisível: “se eu quiser demais, eu apanho”.
Então ela virou boa. Boazinha. Prestativa. Educada. Útil.

Ela entrou num relacionamento achando que amor era esforço.
E ficou anos chamando de normal aquilo que era ofensivo, desgastante, cruel.

Aí um dia ela conhece outro tipo de núcleo.
Ela vem na nossa casa, participa de um encontro, vê gente conversando sem guerra, vê carinho sem cobrança, vê tesão sem humilhação, vê respeito onde antes só existia controle.

E acontece uma coisa que ninguém fala.

Ela não sente só esperança.
Ela sente luto.

Luto porque percebe que o que ela chamava de amor era sobrevivência.
Luto porque entende que ela passou a vida inteira negociando migalhas.
Luto porque ela vê que existia outro jeito e ninguém ensinou.

E é aqui que muitas travam.

Porque voltar para o ambiente antigo depois de provar paz dá uma espécie de abstinência emocional.
Não é frescura. É contraste. É o corpo dizendo: “eu não aguento mais”.

Quando você tenta sair, eles não vão aplaudir. Eles vão reagir.

Essa parte é dura, mas é libertadora.

Ambiente hostil não perde controle em silêncio. Ele reage.

Quando você começa a mudar, você vai ouvir frases como:
“Você está se achando.”
“Você mudou.”
“Você é egoísta.”
“Depois de tudo que eu fiz.”
“Vai me abandonar agora.”
“Você está louca.”

E o golpe final costuma ser no seu medo mais profundo: substituição, comparação, humilhação.
Porque quem quer te puxar de volta não discute verdade. Discute poder.

Você acha que está discutindo fatos.
Mas o jogo real é: quem manda na sua emoção.

A virada que ninguém quer fazer

Tem um ponto em que “provar que você está certa” vira uma prisão.

Eu vejo mulheres brilhantes gastando meses, anos, energia vital tentando convencer mãe, ex, família, mundo.
E isso mantém o vínculo tóxico vivo.

Eu vou falar simples:
você não precisa de tribunal. Você precisa de chão.

E chão se constrói com método e apoio, não com discussão.

Técnica prática: Pedra Cinza

Aqui entra uma das ferramentas mais úteis para lidar com pessoas que provocam, distorcem e te puxam para briga.

Pedra cinza é isso: você vira desinteressante para o conflito.

Você responde curto.
Sem justificativa.
Sem se explicar.
Sem se defender.
Sem entregar emoção.

Exemplos:

“Entendi.”
“Pode ser.”
“Não vou discutir isso.”
“Agora não.”
“Eu já decidi.”

Pedra cinza não é covardia.
É estratégia de proteção psíquica.

Porque você não vence uma guerra emocional com argumento.
Você vence com limite.

O que fazemos aqui na Tríade, de verdade

Eu não vou vender cura. Eu não acredito nisso.

O que a gente faz é oferecer estrutura para quem foi treinada a se abandonar.

A Tríade existe porque chega um momento em que a pessoa percebe: sozinha eu não consigo.
E não é fraqueza dizer isso. É maturidade.

Nos atendimentos e na comunidade, a gente trabalha três coisas com muita clareza:

Honestidade com o que está acontecendo dentro de você.
Mente aberta para desaprender o que te ensinaram como amor.
Boa vontade para aplicar prática, não só entender teoria.

E a parte prática é onde a maioria falha sozinha:

Como reconhecer padrão de vínculo tóxico sem romantizar.
Como parar de ser sequestrada pela culpa.
Como regular emoção para não viver no 8 ou 80.
Como construir autoestima que não depende de aplauso.
Como sair do lugar de boazinha que apanha e ainda pede desculpa.

Isso não é um texto bonito.
É uma travessia.

Se você se identificou, eu vou te pedir uma coisa: não ignora.

Porque tem um detalhe cruel:
gente treinada a agradar sempre acha que está exagerando.

E aí volta para o mesmo lugar, só que mais cansada.

Enquanto isso, os números continuam.
No mundo, uma em cada três. (Organização Mundial da Saúde)
No Brasil, feminicídio dentro de casa, por parceiro ou ex, como regra, não exceção. (Agência Brasil)
E estupro em escala de relógio, como se fosse rotina nacional. (Agência Brasil)

Você não precisa esperar virar estatística para se autorizar a sair.

Um convite honesto.

Se você chegou até aqui, eu não vou te oferecer salvação individual nem promessa rápida.
O que existe aqui é comunidade.
Gente que já atravessou lugares parecidos com o seu
gente que entendeu que não dá pra sair sozinha de ambientes que adoecem
gente que escolheu se responsabilizar pela própria reconstrução, sem romantizar dor.
A Tríade funciona como um ecossistema de cuidado
com padrinhos e madrinhas
grupos de apoio
conversas orientadas
e uma base de estudo que organiza a mente quando a emoção está em caos.
A porta de entrada é um curso na Hotmart.
Não porque o curso resolve tudo
mas porque ele cria linguagem comum, chão emocional e direção.
É ali que você entende
o que está acontecendo com você
por que dói do jeito que dói
e como parar de ser sequestrada pelas próprias emoções.
Depois disso, você não fica solta.
Você encontra gente.
Troca. Escuta. Apoio. Limite. Continuidade.
Aqui ninguém te chama de fraca.
Mas também ninguém te deixa confortável no lugar que te machuca.
Se você sente que já entendeu o problema
mas ainda não consegue sair
talvez não falte força
falte estrutura.
Quando você quiser entrar
a porta está aberta.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Autodestruição como forma de vínculo, quando a dor vira linguagem e o amor vira sobrevivência.

 Existe um tipo de autodestruição que quase nunca é reconhecida como tal.

Ela não aparece como corte, overdose ou colapso explícito.
Ela aparece como relacionamento.
Como apego.
Como “amor intenso”.
Como necessidade constante de atenção.

Esse texto é para quem vive isso e nunca conseguiu nomear.
E também para quem convive com alguém assim e se sente sugado, culpado ou confuso.

O problema não é carência. É ausência de eixo

Muitas pessoas nunca aprenderam a existir sozinhas.
Não porque são fracas, mas porque nunca tiveram um espaço interno seguro.

Saem da posição de filhos direto para a de parceiros.
Trocam a figura de referência, mas mantêm a mesma estrutura emocional.
Continuam vivendo como quem precisa ser visto o tempo todo para não se desintegrar.

Quando estão no foco de alguém, sentem alívio.
Quando esse foco diminui, sentem dor intensa.
Não existe meio termo.
Ou é presença total, ou é abandono interno.

Essa pessoa não sofre porque ama demais.
Ela sofre porque não tem propósito, identidade e sentido próprios.
E tenta resolver isso usando o vínculo como anestesia.

A solidão, aqui, não é silêncio. É ameaça

Para quem vive nesse lugar, ficar só não é descanso.
É colapso.

A mente acelera.
O corpo entra em alerta.
O medo de desaparecer toma conta.

E então surgem comportamentos que parecem amor, mas são pedido de socorro.

Exemplos comuns de autodestruição usada como ferramenta relacional

Vou listar alguns exemplos. Leia com honestidade. Não para se culpar, mas para se enxergar.

– Abrir mão de opiniões, desejos e limites para evitar conflito
– Pedir desculpas por coisas que você não fez, só para manter o vínculo
– Mudar rotina, aparência, amigos e valores “naturalmente”, sem perceber
– Viver em estado de vigilância emocional, medindo cada palavra
– Adoecer sempre que sente que vai perder alguém
– Criar crises emocionais para gerar reação, cuidado ou presença
– Usar álcool, drogas, comida ou sexo para aliviar a angústia da solidão
– Se anular para ser necessário
– Se machucar emocionalmente para não ser abandonado
– Confundir intensidade com amor e ansiedade com vínculo
– Viver ciclos de aproximação extrema e afastamento dramático
– Não conseguir ficar em paz quando o outro está bem sem você

Nada disso parece autodestruição à primeira vista.
Parece adaptação.
Parece maturidade.
Parece “eu faço de tudo por quem amo”.

Mas o efeito é sempre o mesmo: perda de autonomia, identidade e dignidade emocional.

Por que isso “funciona”

É importante dizer a verdade inteira: isso funciona.

Funciona para manter atenção.
Funciona para evitar o vazio.
Funciona para segurar pessoas que já estariam indo embora.
Funciona para não encarar a própria falta de sentido.

Mas funciona contra quem usa.

Porque ninguém sustenta para sempre o lugar de cuidador de um adulto ferido.
E quanto mais você se adapta, mais o vínculo se organiza em cima da sua fragilidade.

Pessoas manipuladoras não precisam invadir.
Elas ocupam espaços que já estavam abandonados.

Autodestruição não é desejo de morrer

É desespero por existir para alguém

Esse é o ponto mais difícil de aceitar.

Muita gente não quer morrer.
Quer ser vista.
Quer ser escolhida.
Quer sentir que importa.

E quando não sabe pedir isso de forma saudável, o corpo vira linguagem.
A dor vira comunicação.
O colapso vira pedido de amor.

Só que isso não constrói vínculo.
Constrói dependência.

Isso não é falha moral. É aprendizado incompleto

Ninguém nasce sabendo se autorregular.
Ninguém nasce com identidade pronta.
Tudo isso se aprende.

Se você nunca teve espelhamento emocional suficiente,
se nunca foi ensinado a sustentar solidão sem se destruir,
se nunca aprendeu a transformar dor em sentido,
é natural que tente sobreviver com o que tem.

O problema é continuar chamando sobrevivência de amor.

Como a Tríade trabalha isso na prática

Na Tríade, a gente não começa corrigindo comportamento.
Começa identificando o gatilho.

Porque o drama, o uso, a crise, o colapso, a dependência
são sempre o último estágio.

O trabalho passa por três pilares simples e profundos:

Honestidade
Parar de romantizar a própria dor.
Nomear o que é medo, vazio, carência e dependência.
Sem culpa, sem mentira.

Mente aberta
Questionar o roteiro aprendido.
Entender que sofrer não prova amor.
Que adoecer não garante permanência.
Que ser escolhido não pode custar sua existência.

Boa vontade
Agir diferente mesmo com medo.
Sustentar limites mesmo sentindo angústia.
Aprender a ficar consigo sem se punir.

Esse processo devolve eixo, autonomia e presença interna.
E quando isso acontece, o vínculo deixa de ser anestesia
e pode, finalmente, virar encontro.

Um convite direto

Se você se reconheceu nesse texto, não minimize.
Isso não é drama.
É um padrão que cobra a vida inteira se não for cuidado.

As sessões individuais existem para isso:
para organizar essa dor,
identificar gatilhos,
reconstruir identidade
e transformar sofrimento em combustível de vida, não em culpa.

Você não precisa se destruir para ser amado.
Você precisa aprender a existir inteiro.

E isso é possível.